PT acorda e mira Marina com determinação

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A resposta veio rápido. Em um comício na cidade de Jales, no interior de São Paulo, a presidente-candidata Dilma Rousseff deixou de lado a artilharia contra o PSDB e dirigiu suas críticas a Marina Silva (PSB), seguindo à risca a orientação do PT para centrar fogo na nova rival direta pela disputa ao Palácio do Planalto.

“Numa democracia, quem não governa com partidos está flertando com o autoritarismo. No mundo, não há um único lugar em que se governa sem partidos”, disse a petista.

Filiada ao PSB somente para disputar as eleições, Marina é idealizadora da Rede Sustentabilidade, partido que foi barrado pela Justiça Eleitoral, e crítica das agremiações regidas pelo que chama de “velha política”. Uma das linhas de ação traçadas pelo PT é martelar que, se eleita, Marina não terá respaldo dos partidos no Congresso Nacional que hoje apoiam Dilma.

Pesquisa Datafolha divulgada na noite de sexta pela TV Globo apontou crescimento meteórico de Marina, que agora aparece empatada com Dilma na liderança da corrida, ambas com 34% das intenções de votos. O tucano Aécio Neves, que ocupava a segunda posição, agora está em terceiro, com 15%. Na simulação de segundo turno, Marina venceria Dilma com vantagem de dez pontos porcentuais.

São 34 dias de campanha para reverter a vitória quase certa de Marina da Silva. Isso é possível? Certamente que sim, pois Marina saiu de um terceiro lugar, com apenas 8% de indicações em pesquisas, para ultrapassar todo mundo e colocar-se como virtual vencedora, até em primeiro turno.

Pesquisa CNT/MDA confirma números do IBOPE.

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Pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT)/MDA divulgada hoje (27) mostra a candidata Dilma Rousseff (PT) liderando a corrida presidencial com 34,2% das intenções de voto para a Presidência da República. Em segundo lugar está a candidata pelo PSB, Marina Silva, com 28,2% das intenções de voto, e, em terceiro, Aécio Neves (PSDB), com 16%.

De acordo com a pesquisa, no caso de um segundo turno, Marina Silva venceria um embate contra Dilma Rousseff, obtendo 43,7% das intenções de voto, ante 37,8% da adversária. Nesse cenário, votos brancos e nulos somam 12,4%, e não sabem ou não responderam à pesquisa 6,1%.Os resultados são semelhantes à pesquisa do Instituto Ibope divulgada ontem (27).

Se o embate no segundo turno fosse disputado entre Dilma e Aécio, a candidata do PT obteria 43% dos votos, e o tucano 33,3%. Brancos e nulos somariam 16,7%; não sabem ou não querem responder, 7%. Em um embate entre Marina Silva e Aécio, em um eventual segundo turno, Marina seria eleita presidente com 48,9% das intenções de votos, enquanto Aécio teria 25,2%. Brancos e nulos somariam 17,2%; não souberam ou não quiseram responder, 8,7%.

Com relação aos demais candidatos, Pastor Everaldo (PSC) obteve 1,3% das intenções de votos no primeiro turno; Eduardo Jorge (PV) obteve 0,4%; Luciana Genro 0,3%; e Levy Fidelix (PRTB) 0,2%. Zé Maria (PSTU), Eymael (PSDC) e Rui Costa Pimenta (PCO) obtiveram 0,1% cada; e Mauro Iasi (PCB) 0%. Votos nulos ou brancos somam 8,7%. Não sabem ou não responderam 10,4% dos pesquisados.

Pesquisa espontânea, a que tem maior credibilidade

Em pesquisa espontânea, quando se pergunta a intenção de voto do eleitor sem mostrar a lista com os nomes dos candidatos, Dilma tem 26,4% das intenções de votos no primeiro turno; Marina chega a 18,6% e Aécio tem 11,3%. Os demais candidatos ficaram com menos de 0,5% dos votos. Brancos e nulos somariam 9,5%; não souberam ou não quiseram responder, 32,9%.

A esperança de crescimento de suas indicações, para qualquer um dos 11 candidatos à Presidência, está no convencimento desses 40% que ainda não fizeram uma escolha, sempre lembrando que o índice de abstenção deve ser de 25% para fora. A 39 dias das eleições do 1º turno, ainda há muito que conhecer e decidir para o eleitor menos informado. Eleições são ganhas na última semana, no último debate, no último dia.

A avaliação do governo Dilma foi considerada positiva para 33,1% dos entrevistados, contra 28,8% que o consideram negativo. A aprovação do desempenho pessoal da presidenta ficou em 47,4% – exatamente o mesmo percentual que o desaprova. Para 6,8% dos entrevistados, o governo Dilma é avaliado como ótimo; 26,3% como bom; 37,4% como regular; e 11,8% como ruim; e 17% avaliam o governo dela como péssimo.

Para a pesquisa da CNT foram entrevistadas 2.002 pessoas em 137 municípios localizados em 24 unidades da Federação, entre os dias 21 e 24 de agosto. A margem de erro é 2,2 pontos percentuais, para cima ou para baixo, e o nível de confiança é 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral com o número BR400/2014.(Por Pedro Peduzzi/ABr, editado por este jornal).