Bahia tem 14 barragens de rejeitos de mineração. Quatro delas com alto potencial de dano ambiental.

A barragem de rejeitos da Mirabela Mineração, localizada no município de Itagibá, está entre as 4 que têm alto potencial de dano na Bahia.

A informação é do gerente regional da Agência Nacional de Mineração na Bahia (ANM), Cláudio da Cruz Lima, em entrevista ao G1 (ver aqui). Conforme Cláudio, na Bahia existem 14 barragens de rejeitos.

“Enquanto Minas (Gerais) tem mais de 400 barragens no Plano Nacional de Segurança de Barragens, a Bahia possui apenas 14. Isso nos permite monitorar as barragens, no mínimo, uma vez por ano. Algumas são monitoradas até duas vezes por ano”, disse Lima, que ainda revelou onde estão localizadas as barragens com maiores preocupações.

Riscos de dano ambiental

“As barragens que têm mais alto potencial de dano são as localizadas em Jacobina (2), Santa Luz (1) e Itagibá (1), mas elas estão sendo monitoradas, inclusive presencialmente, e as empresas estão cumprindo os condicionantes impostos pela ANM. Apesar disso, a gente vai intensificar o monitoramento das barragens, e, a partir da semana que vem, já vamos fazer uma reunião para retraçar os planos de monitoramento das barragens aqui na Bahia”, completou Lima. Após o tragédia com a barragem da Vale em Brumadinho, que deixou dezenas de mortos e mais de duzentos desaparecidos, a preocupação com o rompimento da barragem de rejeitos da Mirabela, foi o principal assunto nas redes sociais neste sábado.

Rio de Contas e seis cidades na rota de um desastre

A Mirabela Mineração suspendeu a exploração de níquel sulfetado em maio de 2016. No ano seguinte, a equipe da mineradora fez apresentações nas cidades de Barra do Rocha, Ubatã, Ubaitaba e Aurelino Leal informando que a barragem de rejeitos da Mirabela é segura.

Vale ressaltar que ela fica próxima ao Rio de Contas que banha as cidades acima citadas e deságua no mar em Itacaré.

Na manhã desse sábado, 26, nossa reportagem manteve contato com o setor de comunicação da mineradora, que nos informou que até a segunda-feira, 28, responderá todas as perguntas feitas pela nossa redação. 

A Mirabela pretende retornar às atividades de exploração minerais no primeiro semestre desse ano. (Fonte: Giro Ipiaú)

A mineração não carreia riquezas para o País

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A mineração como um dos pilares centrais do “modelo de desenvolvimento” brasileiro tem colocado em risco dois patrimônios naturais do país: os recursos minerais e os recursos hídricos, diz o geólogo Paulo Rodrigues ao Instituto Humanitas Unisinos.

Segundo ele, “nos moldes como a mineração é praticada no Brasil, não pode ser chamada de desenvolvimento”, porque os índices de pobreza nos municípios que mineram ferro são sempre mais expressivos, conforme demonstram as estatísticas do IBGE. “Quando você passa por um município minerador, não vê a riqueza expressa na população. Nós costumamos radiografar as regiões depois que a mineração chega ao fim, e o que fica para trás são buracos e barracas. Além das perdas financeiras, temos os impactos sociais, que são muito grandes”, pontua.

A entrevista e um extenso compilado da realidade da mineração no País, fazem parte do artigo “Mineração e o jogo dos sete erros”, escrito por Patrícia Fachin e que o leitor pode ver na íntegra clicando aqui.

Governo chama empresários para debater Porto Sul, em Ilhéus.

O secretário da Casa Civil do Governo da Bahia, Rui Costa, apresentou nesta segunda-feira (21), em Salvador, o novo arranjo institucional do empreendimento Porto Sul ao grupo de investidores de cargas que atuam no estado. A iniciativa da Sociedade de Propósito Específico (SPE) será alvo de um decreto, que vai à apreciação da Assembleia Legislativa da Bahia e da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

Até o dia 30 deste mês, as 13 empresas participantes, catalogadas na Secretaria de Indústria, Comércio e Mineração (Sicm), manifestarão o tipo de interesse em participar do empreendimento. A partir daí, o governo definirá o marco institucional e financeiro do porto.

Segundo o secretário, o interesse é garantir que outros donos de cargas conheçam o projeto e participem como investidores ou até mesmo como usuários, dentro dos parâmetros estabelecidos pelo governo para o desenvolvimento do estado. Ele ressaltou ainda que o nível de detalhamento dos estudos realizados vai garantir, após a concessão das licenças ambientais, um ritmo acelerado na implantação do porto.

Projeto

O Porto Sul, que terá investimentos de R$ 2,4 bilhões, foi concebido dentro do Planejamento Estratégico do Estado da Bahia e será construído na região de Aritaguá, zona norte de Ilhéus, com um cais em mar aberto, integrado à Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol). Essa infraestrutura de transportes possibilitará uma ligação entre o oeste baiano e a região Centro-Oeste do Brasil.

A estimativa é de que o porto público terá uma movimentação anual de cargas em torno de 75 milhões de toneladas, sendo que a Bamin irá construir dentro dessa estrutura o Terminal de Uso Privativo, pelo qual serão escoadas 20 milhões de toneladas de minério de ferro por ano. O porto terá um cais off shore, a 2,5 quilômetros da costa.