Começa a pressão da sociedade contra os candidatos ficha suja

Por Jorge Maranhão, do Congresso em Foco

Uma rápida passada pelo noticiário já mostra que os ânimos estão acirrados para as eleições que definirão novos deputados federais e estaduais, senadores, governadores e Presidente da República. Como em todo ano de eleição, é preciso que a sociedade tome o máximo cuidado com o nível dos políticos em vão votar. Lembrem-se, a luta contra os “ficha suja” é um dever permanente dos cidadãos mais conscientes.

Infelizmente, ainda não temos uma garantia de que todos os candidatos “ficha suja” terão suas candidaturas devidamente barradas. Isso acontece porque no processo de candidatura são exigidas somente as certidões criminais e não as certidões cíveis dos candidatos. Ou seja, só fica demonstrado que o candidato não possui problemas na Justiça em relação a crimes comuns, mas não sobre outras questões, principalmente financeiras, empresariais ou mesmo trabalhistas.

Sem as certidões cíveis, fica difícil enquadrar candidatos “ficha suja” na Lei da Ficha Limpa, pois não haverá como checar se eles respondem a processos cíveis que os tirariam da disputa.

E é exatamente por isso que as organizações da sociedade civil que compõem o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) estão lançando uma campanha on-line contra candidatos ficha suja. A ideia é levar um abaixo-assinado até os ministros do Tribunal Superior Eleitoral pedindo que o tribunal inclua certidões cíveis na documentação exigida para o registro de candidatos.

Mas temos muito pouco tempo para dar o nosso apoio, pois os ministros do TSE têm somente até o dia 5 de março para apresentar as resoluções que serão válidas para as eleições de outubro de 2014. Não é muito tempo, mas o MCCE acredita que a pressão da sociedade pode, sim, chamar a atenção dos ministros para esta resolução, simples e totalmente viável.

Corrupção eleitoral foi tema de debates

O Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral aconteceu hoje pela manhã, no Hotel Paranoá e foi organizado pelo Ministério Público Eleitoral, OAB, Polícia Militar do Estado da Bahia, CONSEG-LEM, Igreja Católica, Amelem (Associação dos Ministros Evangélicos de Luís Eduardo Magalhães), Lojas Maçônicas, Acelem, Rotary e Lions.
O objetivo da iniciativa é conscientizar os moradores e candidatos da importância da uma eleição limpa, sem compra e venda de votos e outros crimes eleitorais.
O candidato Humberto Santa Cruz, que participou do evento, afirma que defende que uma eleição limpa traz muito mais benefícios para a cidade. “O cidadão de Luís Eduardo merece ser representado de forma digna e com respeito. Por isso, acredito que devemos todos zelar pelo combate à corrupção para que esta eleição seja reflexo do que realmente queremos para a nossa cidade”, afirma Humberto.

Lula sanciona ficha limpa sem alterações. Agora Justiça decide se vale ainda em 2010.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta sexta-feira o projeto ficha limpa, que proíbe a candidatura de políticos condenados pela Justiça em decisão colegiada em processos ainda não concluídos. Segundo a Casa Civil, Lula não fez qualquer veto ao texto aprovado pelo Senado.

O Diário Oficial de segunda-feira (7) deverá trazer a sanção de Lula. Como a sanção aconteceu antes do dia 9 de junho, caberá agora ao Judiciário decidir se o projeto provocará efeitos já nas eleições de outubro. O Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, que apresentou o projeto ao Congresso com mais de 1,6 milhão de assinaturas, entende ser possível aplicar já.

O projeto ficha limpa sofreu mudanças no Congresso. A versão inicial, do movimento, desejava a proibição de políticos condenados já em primeira instância. Ainda na Câmara, optou-se por proibir apenas os condenados por colegiados, o que acontece geralmente na segunda instância ou nos casos de quem tem foro privilegiado. O texto que sai do Congresso permite um recurso extra para condenados em colegiados a um órgão superior. Neste caso, se o outro órgão permitir a candidatura ele terá de julgar com prioridade o processo em andamento. (G1)

Ter a ficha limpa não deveria ser um pressuposto para a Justiça Eleitoral antes desse projeto virar lei?