Ex-governador Olívio Dutra é assaltado e agredido em Porto Alegre

 | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Da Redação do portal Sul 21

O ex-governador Olívio Dutra, 74 anos, foi vítima de um assalto e de uma agressão dentro de uma lotação de Porto Alegre na manhã desta sexta-feira (18). Segundo a assessoria do ex-governador, ele subiu no veículo ao deixar a sede do Partido dos Trabalhadores na Av. Farrapos e foi atacado por dois jovens que tentaram levar a sua bolsa ao descerem na altura da Rua Santo Antônio. Olívio relatou ter levado uma “bordoada” na cabeça, mas não há confirmação sobre qual o objeto utilizado no ataque, que o deixou com um ferimento na cabeça.

O ex-governador foi encaminhado para o Hospital de Pronto-Socorro. Apesar do sangramento causado pelo ferimento, Olívio passa bem. “Comunicamos que o ex-governador Olívio Dutra sofreu um assalto na Lotação que o levava para o centro de Porto Alegre. Ele passa bem, foi levado ao HPS para cuidados com o corte que a abordagem dos dois assaltantes causou. Na entrevista que deu após o assalto, reafirmou que vai continuar usando transporte coletivo para se locomover por Porto Alegre”, diz nota da assessoria publicada no Facebook.

Ele teve uma bolsa roubada com documentos e pertences.

Olívio Dutra, exemplo do PT de outrora, concorda com ação do STF

Olívio, aposentado pobre, anda de ônibus em Porto Alegre.
Olívio, aposentado pobre, anda de ônibus em Porto Alegre.

Olívio Dutra, ex-governador do Rio Grande do Sul, sindicalista, fundador do PT¨e  reserva moral do Partido contrariou frontalmente as posições do atual governador Tarso Genro, que criticou as decisões do STF em relação aos condenados da Ação Penal 470, o chamado Mensalão.

Destoando do discurso de lideranças petistas, intelectuais de esquerda e juristas, o ex-governador do Rio Grande do Sul Olívio Dutra não acredita que houve cunho político na condenação e na prisão dos correligionários José Genoino, José Dirceu e Delúbio Soares, detidos, na semana passada, pelo escândalo do mensalão durante o primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Funcionou o que deveria funcionar. O STF (Supremo Tribunal Federal) julgou e a Justiça determinou a prisão, cumpra-se a lei”.

No entendimento de Olívio Dutra, o desfecho da Ação Penal 470, conhecida popularmente como mensalão, foi uma resposta aos processos de corrupção que, historicamente, permeiam a política nacional, independentemente de partidos.

Olívio Dutra, que vive de sua aposentadoria como escriturário do Banrisul e mora no mesmo apartamento financiado pelo BNH há anos, é exemplo daquele PT que conhecemos: aguerrido, corajoso, organizado, probo. Hoje o PT é um saco de gatos, que se arranham entre si. Foto de Denison Fagundes.

Gaúchos ainda ressentidos com o PT pela perda da Ford para a Bahia.

A moderna fábrica da Ford em Camaçari.

O jornalista Políbio Braga reconta em seu blog a história de como a Ford, que teve seus direitos contratuais negados pelo então recém inaugurado governo petista, veio parar na Bahia. Os gaúchos não esquecem um malfeito. E isso se pode notar pelo ressentimento do jornalista, homem de direita, é verdade, mas sem deixar, no entanto, de narrar uma triste página da história recente do Rio Grande do Sul:

“No final do governo Antônio Britto, 1997, quando já era certo que a Ford faria companhia à GM no RS, o editor visitou Guaíba, Gravataí,  Nova Santa Rita e Glorinha, todas na Grande Porto Alegre, onde se instalariam respectivamente as fábricas da Ford, GM, Laminadora de Aço e Good Year.
O então governo Olívio Dutra mandou Ford, Laminadora de Aço e Good Year para fora do RS. Só ficou a GM, cuja fábrica tinha chegando ao ponto de não retorno em Gravataí.
É claro que a Laminadora e a Good Year só sairiam no caso de ser montado o verdadeiro super cluster de carros que Britto costurou para instalar no RS (Britto também atraiu a fábrica de caminhões International Harvester para Caxias e a fábrica de carros esportivos TVR para Farroupilha, como atrairia muito mais indústrias).
A Ford acabou na Bahia, onde a figura de Olívio Dutra é saudada como grande benemérito do Estado. A superfábrica que montou lá, levou riqueza e empregos junto, mas também levou fornecedores fantásticos, como a fábrica de pneus alemã Continental (a Good Year não se interessou pela Bahia).
Pois a Continental anunciou nesta quinta-feira que sua fábrica já  é pequena e quer fabricar 10 milhões de pneus por ano. É por isto que anuncia novos investimentos de US$ 210 milhões.
A economia gaúcha pode debitar toda essa conta na contabilidade do PT. Foi seu ranço jurássico neomarxista, aliado à turrice cristã-comunista do galo missioneiro, que confinaram os gaúchos no espaço estagnado sob as margens do Mampituba.”

Observação: Galo Missioneiro é o apelido do sindicalista Olívio Dutra, por ser valente e nascido na região das Missões gaúchas. Mampituba é o rio que separa o Rio Grande de Santa Catarina no litoral. Na época o Rio Grande do Sul já era o segundo estado em produção de auto-peças. A vinda da GM e da Ford era saudada como a redenção econômica do Estado, em virtude da industrialização crescente que se observava nas regiões de imigração alemã e italiana, Vale do rio dos Sinos e Serra Gaúcha. A GM, atualmente duplicada em sua capacidade de produção, é um dos esteios da economia gaúcha.

PT gaúcho luta para corrigir erro histórico.

A Ford pode retornar 10 anos depois.

Samir Oliveira, repórter do Jornal do Comércio de Porto Alegre, confirma que, uma década depois de ter sido culpado pela saída da Ford do Estado, o PT, que assumirá o governo gaúcho com Tarso Genro no dia 1 de janeiro de 2011, negocia a vinda de uma operação da montadora para o Rio Grande do Sul.

Assessores diretamente ligados ao governador eleito confirmam o que o colunista do Jornal do Comércio, Fernando Albrecht, antecipou na edição de quinta-feira: que já há conversações com a empresa para a instalação de uma unidade da montadora voltada à produção de veículos populares no Estado.

O Rio Grande do Sul ficou perplexo, na oportunidade, pelo radicalismo de Olívio Dutra, então recém eleito governador do Estado. Tarso tenta corrigir o erro histórico da maior trapalhada econômica e política do PT. Antonio Carlos Magalhães conseguiu trazer  a Ford para a Bahia, concedendo mais vantagens que aquelas que a empresa tinha para se instalar nas proximidades da Capital. A operação da empresa no Mercosul, as fábricas na Argentina e o processo de importação e exportação facilitado por um porto próprio e especializado, talvez façam a empresa rever a estratégia de se instalar em Pernambuco, já que agora o PT da Bahia teve pouco sucesso na administração da expansão da empresa em Camaçari.

O terremoto do Piauí foi grande como o do Rio Grande?

“A desgraceira que o PT fez no Piauí foi pior que os terremotos no Chile e Haiti”, garante o ex-governador e senador Mão Santa (PSC). Hoje, no blog de Cláudio Humberto, o mais bem informado sobre a cloaca máxima da Esplanada dos Ministérios.

No Rio Grande também, Senador! Até denunciar contratos referendados um ano antes, como o da Ford, que acabou vindo para a Bahia e hoje é uma das locomotivas econômicas deste Estado. Olívio Dutra nunca mais conseguiu emprego, nem de cantor de churrascaria. Os gestores do PT nunca reinam impunemente em cidades, estados ou no País.