Polícia Federal prende procuradora do mensalão do DF.

A Polícia Federal prendeu nesta manhã a promotora Deborah Guerner, acusada de tráfico de influência na Operação Caixa de Pandora. A prisão preventiva, cujo motivo ainda não foi oficialmente divulgado, foi determinada pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Os policiais também prenderam o marido dela, que foi levado para o Complexo Penitenciário da Papuda. Deborah tem direito a cela especial e está detida na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Os dois haviam chegado há pouco de uma viagem à Itália.
Ela e o ex-procurador-geral de Justiça do DF, Leonardo Bandarra, são acusados de passar informações privilegiadas a integrantes do governo José Roberto Arruda e de terem tentado extorquir o ex-governador do Distrito Federal. De acordo com a denúncia, os dois pediram R$ 2 milhões para não divulgar o vídeo em que Arruda aparece recebendo dinheiro do delator e pivô do mensalão, Durval Barbosa.
O Conselho Nacional do Ministério Público retoma no dia 17 de maio o julgamento que apura o envolvimento de Deborah e Leonardo no caso. O julgamento foi interrompido no dia 6 de abril após um pedido de vista. O relator, Luiz Moreira, pediu a demissão dos dois por tentativa de extorsão e violação do sigilo funcional. Em sua defesa, Deborah alega insanidade mental e ser vítima de uma perseguição tramada por pessoas que teriam tido interesses contrariados por sua atuação profissional.

Na sequência se espera também a prisão dos envolvidos no mensalão do PT. Mas isso são outros 500 réis, não é mesmo?

Revelada grande negociata, com políticos envolvidos, em Brasília.

A revista Veja que vai circular nesta semana revela que estão em poder do Ministério Público gravações de áudio nas quais o lobista Maurílio Silva, antigo parceiro do ex-governador Joaquim Roriz em negociatas, aparece cobrando propina de um grupo de fornecedores do Detran local, ensinando a fraudar licitações e já fatiando contratos num possível governo do comparsa. A conversa, gravada dia 14 de dezembro do ano passado por uma empresária – pouco mais de duas semanas após o Ministério Público estourar a operação Caixa de Pandora – trata-se de uma reunião entre Maurílio e fornecedores de placas e lacres para veículos. No encontro, os empresários deixam claro que formaram um cartel e que querem discutir com o lobista uma maneira de conseguirem exclusividade para instalar os novos lacres veiculares exigidos por nova lei do Departamento Nacional de Trânsito que estabelece que até dezembro de 2011 todos os carros do país deverão receber esses lacres, que irão conter números de série, de modo a inibir fraudes e clonagens. Cabe ao Detran de cada estado credenciar as empresas e estabelecer os custos. O de Brasília ainda não fez essas mudanças, que podem render, de imediato, 40 milhões de reais aos fornecedores.

Simon:”A impunidade vai, um dia, terminar neste país. Quem não diz que está começando hoje?”

Foto de Simon por José Cruz da ABr

A decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de determinar a prisão preventiva do governador licenciado José Roberto Arruda, por tentativa de obstrução dos trabalhos da Justiça, fez da última quinta-feira (11) “um dia histórico”, na avaliação do senador Pedro Simon (PMDB-RS). Para o parlamentar, 2010 poderá ser considerado o ano em que o Brasil, pela primeira vez, adotou um ato contra a impunidade.

Para o senador, a decisão “feliz e correta” do juiz relator da Operação Caixa de Pandora, Fernando Gonçalves, não representa o julgamento antecipado de Arruda e nem a eliminação do seu direito de defesa, mas a garantia de isenção para apuração e julgamento dos fatos. Foi um ato inédito, avaliou ainda o senador.

– Nós só queremos que isso seja feito com isenção. Nós só queremos mostrar à sociedade brasileira que político também pode ir para a cadeia. Banqueiro ainda não. Porque o presidente do Supremo [Tribunal Federal] já soltou duas vezes, mas político pode – afirmou o senador.

Para ele, a declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o assunto foi sincera, mas não foi feliz.

– O presidente Lula disse que não é bom para a democracia, não é bom um governador ser preso. E lamenta. Eu acho que não é bom para a democracia um governador ser preso. Mas não lamento. O que não é bom para a democracia é a corrupção existir plenamente e o Brasil ser o país da impunidade – afirmou Simon.

Arruda caminha na prancha

Quase 90 dias depois de aparecer na TV, Arruda encontra seu Waterloo.Protesto arruda Fabio Rodrigues Pozzebom Agência Brasil.

O jornalista Cláudio Humberto afirmou exatamente à zero hora desta noite que  “o Superior Tribunal de Justiça deve conceder medida cautelar, a qualquer momento, determinando o afastamento do governador José Roberto Arruda de suas funções. A prisão preventiva por enquanto está descartada. A tentativa de obstruir a instrução criminal da Operação Caixa de Pandora, atribuída a Arruda, provocou grande revolta no STJ. Ministros acharam um “deboche” a tentativa de subornar testemunha.”

Apostas contra o afastamento em valores maiores de um centavo de real não serão aceitas. Ao menos um corrupto pagará por seus atos, mesmo que seja da Oposição ao Governo Federal.