Ibsen Pinheiro: 30 anos da história política brasileira em uma noite.

Ibsen, em foto publicada no blog de Chico Pereira, sem menção de autoria
Ibsen, em foto publicada no blog de Chico Pereira, sem menção de autoria

Quem perdeu o programa “Palavras Cruzadas” da TV Brasil, nesta madrugada de segunda-feira, onde foi entrevistado o deputado gaúcho Ibsen Pinheiro (PMDB), perdeu uma revisão serena, cristalina e equilibrada da história dos últimos 30 anos da política brasileira. Ibsen é advogado, jornalista, promotor de justiça e participou da constituinte de 88, do impeachment de Collor de Mello e acabou por ser cassado, na CPI dos “anões do orçamento” por causa de um erro de um jornalista de Veja, que confundiu US$1.000 com US$1.000.000 nas contas do Deputado.

O Jornalista em questão até descobriu o erro antes da revista sair às bancas, avisou o seu editor, mas este negou-se a suspender a impressão da edição que já andava pelas metades nas oficinas gráficas. Ibsen foi cassado e mais tarde isentado no STF, mas já tinha perdido seus direitos políticos. Encerrado o período de sua pena, voltou ao Congresso e recuperou a relevância de seus áureos tempos como presidente da Casa.

“Só se envergonha quem tem vergonha, disse Ibsen. E anunciou o título de um livro que nunca escreveu: “Os inocentes não têm cúmplices”.

Ibsen, ao contrário do seu partido, acha que não existem razões para o impedimento da presidente Dilma. Mas que a relevância das manifestações de rua e a pouca aptidão de Dilma para o jogo político podem leva-la ao perdimento do cargo. Mas alerta: deve ser difícil para a oposição conseguir os 341 votos na Câmara para autorizar o Senado a iniciar o processo de impedimento.

Conheci Ibsen na redação da Folha da Tarde, onde no final do expediente ia buscar a sua falecida esposa, Laila Pinheiro, que era editora de variedades do jornal. Sempre foi um homem sereno e articulado no raciocínio. Além da empatia que todo homem de bem cria diretamente com seus ouvintes, tenho um motivo especial de consideração: é um colorado irredutível e já dirigiu o Internacional com conduta exemplar.