Renúncia do Papa prende-se à impossibilidade de varrer a sujeira

Foto AFP para a Folha
Foto AFP para a Folha

O Estadão relata hoje: “O papa chegou ao trono com a promessa de que conduziria uma limpeza na Igreja. O resultado, porém, foi o oposto e o equilíbrio de poder que havia durante os anos de João Paulo II ruiu.

Suas decisões de punir cardeais simplesmente foram ignoradas ou levaram anos para serem cumpridas, em um desafio claro ao poder do papa. Foram os casos de Roger Mahony ou de Thomas Curry. Marcial Maciel, fundador dos Legionários de Cristo, foi outro que acabou sendo protegido por anos, apesar das denúncias. Por mais que tenha tentado, Bento XVI jamais conseguiu implementar sua ideia “de tolerância zero” em relação à pedofilia. “Quanta sujeira na Igreja”, chegou a declarar.

Bento XVI também deu indicações de que poderia rever algumas de suas posições, como a questão do preservativo. Cardeais mostraram-se irritados e se apressaram em negar o debate. Esse não seria o único caso de desobediência. O cardeal Tarcisio Bertone tomaria medidas à sua revelia, até mesmo punindo aliados do papa. Em uma ocasião, teria chorado.” De Jamil Chade/enviado especial e Filipe Domingue/especial para o Estado de S. Paulo.

Papa Bento XVI renuncia ao cargo

Em uma decisão que não era esperada por grande parte da comunidade católica, o Papa Bento XVI, Joseph Ratzinger, anunciou nesta segunda-feira que vai deixar a liderança da Igreja, abandonando o cargo às 17h do dia 28 de fevereiro. 

Em comunicado, o religioso disse que sua força não é mais adequada para continuar no posto devido a sua idade avançada e que tomou a decisão pelo bem da Igreja.

O Vaticano não quis comentar o caso até o momento e ainda não divulgou qual será o processo para a substituição do líder. Ratzinger é o quarto Papa a renunciar ao cargo. A última vez que isso aconteceu foi há quase 600 anos. O próximo Pontífice deve ser eleito no fim de março, segundo informações de agências internacionais. Do jornal O Globo.

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