Partidos ganham escandaloso aumento de fundo partidário

marcha01

O PT proibiu diretórios de receber doações de empresas. Mas pressionou Dilma para sancionar escandalosa verba de fundo partidário. O Congresso do PT vai decidir, em junho, na Bahia, durante congresso nacional, a decisão do partido.

Apesar do corte de gastos em nome do ajuste fiscal atingir diversas áreas estratégicas do governo, a presidente Dilma Rousseff, pressionada pelo PT, sancionou ontem, sem vetos, dentro do Orçamento Geral da União a verba do fundo partidário — três vezes maior neste ano.

Parte do recurso, de R$ 867,56 milhões, deve, no entanto, ser contingenciada. As definições sobre isso ocorrerão após análise do comportamento da arrecadação e das votações sobre o plano de ajuste fiscal do governo federal no Congresso.

Na semana passada, o PT decidiu proibir que seus diretórios recebam doações de empresas, como resposta ao escândalo de corrupção investigado na Operação Lava-Jato. A resolução tem que ser referendada no congresso do PT, em junho, na Bahia. Para que a proibição se sustente, a legenda conta com a ampliação do fundo partidário, sancionada ontem. Veja mais em O Globo.

Partidos políticos já foram agremiações sérias.

Maragatos em 1923, sob o comando de Honório Lemes, o “Leão do Caverá”.
Joaquim Francisco de Assis Brasil, o chefe político da Revolução de 1923, maragato de cruz na testa.

Houve um tempo, quando as idéias eram defendidas nos campos de batalha, em que partidos políticos foram associações cívicas de fato, com ideário e membros imutáveis.

Tive exemplo em casa: meu avô, Murilo dos Santos Sampaio, e meu pai, Ubirajara dos Santos Sampaio, nasceram e morreram nas hostes do Partido Libertador, parlamentaristas e sempre oposicionistas. Quando meu avô morreu, durante o velório, um gaiato e puxa-saco do Golpe de 64, depositou uma bandeira da ARENA sobre o caixão e sobre a bandeira do Partido Libertador. O ato insano não durou 10 segundos. O gaiato foi expulso do velório e levou junto com ele, enfiada em lugar incerto e não sabido, a bandeira espúria. O manto sagrado dos libertadores, junto com o lenço colorado, acompanhou o líder revolucionário de 23 à tumba. Me acostumei a visitar meu avô, ainda menino, e, mesmo em casa, ele recebia correligionários e familiares, sempre com o lenço vermelho no pescoço.

Aos sábados, a Rádio Cruz Alta transmitia o programa do Partido Libertador, que começava com o hino do Partido e o eslogan: “Uma vez maragato, maragato até morrer”. 

Mesmo depois da renovação partidária, meu pai, sempre que questionado sobre seu partido respondia: “Nasci maragato e vou morrer maragato”. As gaiatices que se fazem hoje com partidos políticos passam longe daquilo que a história nos ensinou.

Passaredo fatura muito na pré-campanha do Oeste.

Passaredo em Barreiras: portal de políticos esbaforidos pela manutenção dos partidos. Foto jornal Classe A.

Quem está faturando forte com a dança dos partidos no Oeste é a companhia Passaredo. É uma tal de revoada de políticos em Salvador e Brasília, que o jornalista que quiser estar bem informado deve dar plantão no Aeroporto de Barreiras. Ontem mesmo Rafael Martelli D’Agostini, da comissão provisória do Democratas em Luís Eduardo, partiu em caravana cívica para Brasília, com o objetivo de segurar o partido na Terceira Via. Zito Barbosa deu uma volteada em Salvador e deve ter encontrado Antonio Henrique de passagem.

Estes dias soubemos que os pré-candidatos Humberto Santa Cruz e Oziel Oliveira vieram no mesmo vôo de Brasília. O que aliás deveria ser proibido pela lei eleitoral durante a campanha. Imaginem só se acontece um acidente fatal, que Deus nos livre: o terceiro candidato seria eleito por aclamação. E se ele perde, sozinho, com menos de 50% dos votos. Imagina o vexame!

Então está certo: vamos destacar um repórter avançado na porta do banheiro do restaurante do Rosário, onde os políticos dão as suas mijadinhas democráticas e outro no aeroporto de Barreiras. Vai ficar caro, mas garanto que vai valer a pena.

A novela dos partidos ainda não acabou

Ao que parece, a dança das cadeiras dos partidos ainda não acabou. Ontem à noite, um dirigente partidário e político de proa da cidade afirmou que o capítulo final do domínio do PMDB em Luís Eduardo Magalhães ainda está por vir à luz.

Assim como o PMDB, outras agremiações importantes podem trocar de mãos ainda este mês. E muita gente, da noite para o dia, vai ficar órfã de pai e mãe.