Defensores de uma e outra candidatura em Luís Eduardo anunciavam, neste domingo, vantagem de 2.800 votos entre os candidatos. Isso significa, num cálculo apriorístico, que as pesquisas estão erradas no mínimo em 5.600 votos, para um lado ou para outro.
Outros observadores diziam, no café entre amigos, que 2.800 votos, quase 10% dos votos válidos, é uma diferença muito grande para 5 ou 6 dias de campanha.
Já vi de tudo em política. Em 1951, com 2,5 anos de idade, lembro-me como se fosse hoje, fui com meu pai e minha mãe, receber o brigadeiro Eduardo Gomes no aeroclube de Cruz Alta. O inusitado da ocasião, seja o fato de dois ou três aviões pousando quase ao mesmo tempo ou a grande festa cívica, deixaram-se marca indelével na memória. Pouco antes de meu pai morrer, ainda perguntei a ela se a história era como eu me lembrava. Ele confirmou tudo.
O herói do Levante do Forte levava, então, enorme vantagem na preferência do eleitorado, sobre seu concorrente, Getúlio Vargas, que vinha de uma ditadura feroz de 15 anos e de 5 anos de ostracismo, mas levou uma surra enorme nas urnas.
De lá pra cá, passaram-se quase 62 anos.
Em agosto de 2006, Yeda Crusius estava em terceiro lugar nas pesquisas para o Governo do Rio Grande do Sul. Passou em primeiro lugar no primeiro turno e, no segundo turno, derrotou Germano Rigotto, então governador.
Cristovam Buarque ganhou de Joaquim Roriz, em 2000, no DF, no primeiro turno e perdeu no segundo.
Agora, em 2012, ACM Neto e Serra já levaram uma virada nas pesquisas de Salvador e São Paulo, respectivamente.
Então, confie sempre desconfiando em pesquisas. Quem assegura seu destino na véspera é o peru de natal. O resto é a mais pura e delicada bobagem.



