Ciro roda a baiana e se interpõe na polarização Bolsonaro-Haddad

O candidato a presidente pelo PDT, Ciro Gomes, afirmou que se considera a alternativa para evitar a polarização entre os presidenciáveis Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT), líderes nas pesquisas. 

“Eu estou trabalhando para mostrar que não precisa votar no coisa ruim ou no coisa pior só porque não tem alternativa. Tenho ficha limpa, tenho boas propostas, tenho experiência, capacidade de dialogar”, disse Ciro, após conceder entrevista à Rádio Itatiaia, em Belo Horizonte.

O pedetista chamou Bolsonaro de “extremista militar” e o PT de “organização que passou a abusar do poder”, mas sem mencionar diretamente candidato do partido.

Eleições mudam sua face nas últimas 24 horas. Ciro sabe disso. Talvez até sábado ele diga a palavra mágica que vai fazer com que ele salte do terceiro lugar para o segundo, mesmo tendo hoje a metade das indicações nas consultas populares. É possível. O cultivo do ódio entre Bolsonaro e Haddad pode virar o fio e cortar na carne dos próprios contendores. 

Correio Braziliense: eleitor se afastou do Centro e favorece a polarização entre os extremos

O resultado da pesquisa Ibope divulgada na noite de ontem reforça a polarização da campanha a menos de duas semanas das eleições. O levantamento apresenta dois pelotões na corrida. O primeiro, formado por Jair Bolsonaro, do PSL, com 28% das intenções de voto, e o segundo por Fernando Haddad, do PT, com 22%, que estão a mais de dez pontos, no mínimo, dos terceiro, quarto e quinto colocados: Ciro Gomes (PDT), 11%, Geraldo Alckmin (PSDB), 8%, e Marina (Rede), 5%.

A pesquisa confirma a tendência de que o eleitor se afastou do centro, indo em direção aos polos representados pelos candidatos do PSL e do PT. Enquanto Bolsonaro parece não subir, Fernando Haddad, a partir da conquista de eleitores do sexo feminino e da classe de menor renda, que até então eram os mais indecisos, cresceu três pontos percentuais.

Na rabeira, aparecem João Amoêdo, do Novo, com 3%, Alvaro Dias, do Podemos, e Henrique Meirelles, do MDB, com 2%, e Guilherme Boulos, do PSol, com 1%. Cabo Daciolo, Vera Lúcia, João Goulart Filho e Eymael não pontuaram.

Em relação aos levantamentos anteriores do Ibope, Bolsonaro ganha rejeição — 42% a 46% — e perde intenção de voto nos cenários de segundo turno. O deputado, que está internado desde o início de setembro no Hospital Albert Einstein, sairia derrotado se fosse confrontado por Ciro (46% a 35%), Haddad (43% a 37%) e Alckmin (41% a 36%) na segunda etapa. O líder das pesquisas empataria somente com a ex-senadora Marina Silva (39% a 39%), que despenca nos levantamentos.