O debate decisivo visto pelos jornalistas de O Globo

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Matéria de O Globo, com foto de  Alexandre Cassiano / Agência O Globo

No último debate da campanha presidencial, nesta sexta-feira à noite, na TV Globo, a troca de acusações que marcou a campanha veio logo no início do embate entre a presidente Dilma Rousseff (PT) e o senador Aécio Neves(PSDB). O tucano, em sua primeira intervenção, disse que era alvo de boatos, como o de que tiraria do cadastro beneficiados pelo Bolsa Família, e lembrou o escândalo da Petrobras, com as denúncias veiculadas esta semana pela revista “Veja”, segundo as quais o doleiro Alberto Youssef acusou Dilma e e o ex-presidente Lula de saberem dos desvios na estatal.

— Essa campanha vai passar para a História como a mais sórdida. A calúnia e a infâmia foram feitas não só em relação a mim, em relação a Eduardo Campos, a Marina. Isso é um péssimo exemplo. A revista publica que um dos delatores disse que a senhora e Lula tinha conhecimento da corrupção na Petrobras. A senhora sabia da corrupção na Petrobras?

Em resposta, Dilma acusou o tucano de fazer uma campanha “extremamente agressiva” contra ela e negou as denúncias. Afirmou que a revista faz “oposição sistemática” aos governos petistas e promove um “golpe eleitoral”.

— A “Revista Veja” não apresenta nenhuma prova do que faz. Manifesto a minha inteira indignação porque a revista tem hábito de, na reta final das campanhas, tentar dar um golpe eleitoral e isso não é a primeira vez. Fez em 2002, em 2006, em 2010 e agora faz em 2014. O povo não é bobo e sabe que está sendo manipulada essa informação porque não foi apresentada nenhuma prova. Irei à Justiça para me defender.

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Foto de Ivan Pacheco, de Veja

COMPARAÇÕES ENTRE GOVERNOS

Aécio manteve a ofensiva e, ao abordar os problemas de infraestrutura do país, criticou o governo federal por ter investido R$ 2 bilhões na construção do Porto Muriel, em Cuba, quando, disse, o país carece de investimentos em ferrovias e portos. Na resposta, Dilma usou a estratégia, repetida ao longo do debate, de comparar os governos petistas com os de Fernando Henrique Cardoso. Disse que a iniciativa será benéfica para empresas brasileiras e afirmou que o ex-presidente também financiou empresas para “colocar produtos em Cuba e Venezuela”.

Nas seguidas comparações que fez com governos tucanos, Dilma acusou o PSDB de ter deixado o Banco do Brasil com uma “grave dívida” e de ter quebrado a Caixa Econômica Federal e o BNDES.

— Vocês reduziram (os bancos) ao tamanho que achavam que devia ter — disse Dilma.

A presidente ouviu então de Aécio a acusação de que o PT aparelha a máquina pública.

— O Banco do Brasil tem 37 diretorias, um terço delas ocupadas por filiados do PT.

No debate econômico, Dilma disse que não era verdade que ela é a primeira presidente a  entregar um governo com a inflação maior do que recebeu:

— No últimos dez anos tivemos dentro dos limites da meta. Quem não mantinha (a meta) era o governo Fernando Henrique.

— Quer dizer que foi o PT que controlou a inflação e não nós? Tenho orgulho de ter um aliado como o Fernando Henrique, a quem a senhora teceu elogios.

PARTICIPAÇÃO DE INDECISOS

No segundo bloco, em que, pela primeira vez, eleitores indecisos fizeram perguntas diretamente aos candidatos, a discussão se voltou para a vida real, tornando o debate menos agressivo e mais propositivo. Logo na primeira pergunta, sobre os altos aluguéis, Dilma e Aécio foram obrigados a discutir a inflação, sem acusações mútuas.

Dilma aproveitou a pergunta para falar de um de seus principais programas, o Minha Casa Minha Vida, destacando que ele contempla quem ganha até R$ 5 mil, com faixas de subsídio. A candidata disse que seu compromisso é fazer mais três milhões de casas, ampliando as faixas de renda.

— Tenho certeza de que você poderá ser contemplado caso seja uma das pessoas sorteadas — disse Dilma, dirigindo-se ao eleitor.

Aécio procurou desconstruir os números oficiais. Disse que foi entregue apenas metade das três milhões de casas anunciadas. O tucano prometeu ampliar os programas de habitação no país.

A pergunta sobre educação proporcionou um confronto de realizações entre Dilma, no governo federal, e Aécio, no governo de Minas Gerais. No entanto, os candidatos convergiram sobre a necessidade de mais creches, melhora no ensino médio e na valorização dos professores.

Sobre o tema da corrupção, levantado por uma eleitora de Minas, Dilma concordou que a lei é branda para punir corruptos e corruptores e enumerou propostas que fez para endurecer a lei. Aécio disse que a eleitora expressava o sentimento de indignação de milhões de brasileiros com a corrupção e afirmou que algumas propostas listadas por Dilma tramitaram no Congresso, mas sem empenho do governo em aprová-las.

— Existe uma medida acima de todas as outras para combater a corrupção, tirar o PT do governo — afirmou o tucano.

‘MEU BANHO MINHA VIDA’

No terceiro bloco, em que os candidatos voltaram a fazer perguntas entre si, Dilma alfinetou os tucanos ao falar sobre a importância do planejamento e em seguida lembrou a falta de água em São Paulo, governada pelo PSDB. Aécio disse que faltou planejamento, mas do governo federal, que, segundo ele, não teria colaborado com o governo paulista. Citou o Tribunal de Contas da União (TCU), que teria acionado o governo federal por isso. Dilma procurou ser irônica e, após, dizer que água é responsabilidade dos governos estaduais, citou o humorista José Simão:

— Vocês estão levando o estado para ter o programa “meu banho minha vida”.

Aécio, que já havia citado o “Petrolão”, referência ao escândalo da Petrobras, lembrou o julgamento do mensalão e voltou a criticar o PT por tratar os petistas condenados como “heróis nacionais”. E perguntou a Dilma o que achava da condenação do ex-ministro José Dirceu. Sem responder diretamente ao tucano, a presidente lembrou o mensalão mineiro, no governo do tucano Eduardo Azeredo (a quem chamou de Renato Azeredo):

— O mensalão do meu partido teve condenados. No mensalão do seu partido, não teve condenados nem punidos — disse Dilma, lembrando outros escândalos envolvendo tucanos que, segundo ela, não tiveram punição, como Sivam e pasta rosa.

Aécio contra-atacou e disse que um dos principais envolvidos no mensalão mineiro é ligado ao PT:

— Walfrido Mares Guias foi coodenador de sua campanha em Minas — afirmou Aécio

Pesquisa Vox Populi: Dilma e Aécio empatados de fato.

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Com 45%, a presidente Dilma Rousseff está empatada tecnicamente com o candidato à Presidência da República pelo PSDB, Aécio Neves, que obteve 44% das intenções de voto, de acordo com pesquisa eleitoral divulgada nesta segunda-feira pelo Vox Populi.

Indecisos somam 5%, mesmo índice de brancos e nulos. Considerando apenas os votos válidos, novo empate dentro da margem de erro de 2% para mais ou para menos: Dilma tem 51% e Aécio 49%. O nível de confiança é de 95%.

O Vox Populi entrevistou 2 mil pessoas em 147 municípios no sábado (11) e no domingo (12).

 

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Marina encosta em Dilma, em pesquisa IBOPE. Aécio diz que reage e toma 2º lugar em 20 dias

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A candidata do PSB à Presidência da República, Marina Silva, se isolou na segunda colocação em intenção de votos segundo a nova pesquisa Ibope encomendada pelo jornal O Estado de São Paulo e pela Rede Globo. Marina aparece com 29% das intenções de votos, contra 19% de Aécio Neves (PSDB), o terceiro colocado. A presidente Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição, permanece em primeiro lugar com 34%.

Em um eventual segundo turno contra a petista, Marina sairia vencedora. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.

Empatados em quarto lugar estão a candidata do Psol, Luciana Genro, e Pastor Everaldo (PSC), com 1% das intenções de votos cada. O total de eleitores que declaram voto nulo ou branco é de 7%. Outros 8% dos entrevistados estão indecisos.

Em um suposto segundo turno entre Marina Silva e Dilma Rousseff, a pessebista venceria com 45% dos votos, ante 36% da petista. Ao todo, 11% dos entrevistados se declararam indecisos e 9% anulariam o voto. Em uma simulação de segundo turno entre Dilma e Aécio, a candidata à reeleição ganhararia com 41% das intenções, contra 35% do mineiro. Neste cenário, tanto indecisos quanto aqueles que anulariam o voto são 12%.

O Ibope ouviu 2.506 eleitores em 175 municípios entre o últimos sábado e segunda-feira. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-00428/2014.

Rejeição
Dilma é, entre os candidatos, o que apresenta maior rejeição. De acordo com a pesquisa, 36% dos entrevistados disseram que não votariam na petista de jeito nenhum. Aécio Neves aparece com 18% e Marina com 10%. Entre os nanicos, Pastor Everaldo tem 14% de rejeição e Luciana Genro 8%.

Aécio reage aos resultados

Segundo o jornalista Rodrigo Vilela, do portal Diário do Poder, o senador mineiro Aécio Neves, candidato do PSDB à Presidência da República, garantiu que vai ultrapassar a candidata Marina Silva (PSB) nas pesquisas eleitorais e dentro de 15 ou 20 dias assumirá o segundo lugar isolado nas intenções de voto. O tucano atribui o bom desempenho de Marina silva a uma “onda” de comoção, provocada pela morte do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, morto em um acidente aéreo no último dia 13.

Aécio visitou o Saara, centro de comércio de rua do Rio de Janeiro, e concedeu entrevista a uma rádio local. O candidato acredita que o quadro para a disputa presidencial começa a se definir a partir de 15 de setembro e que a morte de Campos alterou o cenário eleitoral. “Infelizmente, todos nós estamos abalados com a morte trágica de Eduardo. Isso trouxe uma modificação pelo menos momentânea no quadro eleitoral. Política e eleições funcionam muitas vezes como esse mar maravilhoso. As ondas vêm”, avaliou Aécio.

O tucano disse ainda que, no início do ano, a equipe da presidenta Dilma Rousseff (PT) dava como certa a reeleição dela já no primeiro turno. “Depois surgiu o fenômeno com a candidatura nova de Eduardo, que seria avassaladora, o que acabou não ocorrendo. Veio o episódio Marina agora”, disse.

Aécio afirmou que os eleitores estão no momento de saber quem são os candidatos e que ele ainda é pouco conhecido, mas conta com os programas de televisão e as viagens pelo país para melhorar o desempenho. “Ao lado disso, o conhecimento em relação às nossas propostas precisa ser aumentado também. A partir do dia 10 ou do dia 15 de setembro começaremos a ter um quadro mais próximo daquele que será o quadro eleitoral e espero, sim, estar no segundo turno e vencer as eleições”.