Falta de insumo e comercialização são desafios de produtores orgânicos

A produção orgânica no Brasil enfrenta dificuldades específicas em relação ao modelo de agricultura convencional do país, que se utiliza de agrotóxicos.

Pesquisa realizada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) mostra que os maiores desafios dos produtores orgânicos são a falta de insumos apropriados, comercialização, assistência técnica e a logística. No levantamento, foram ouvidos 1.200 produtores do Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos.

Diante do cenário, o Sebrae começou a pensar soluções junto aos produtores que buscam apoio na entidade.

“O ponto principal que queríamos conhecer eram as principais dificuldades que os produtores orgânicos tinham em relação a melhorar seu processo de produção, ter mais produtividade. A opção mais indicada, presente em 57% [das respostas], foi a carência de insumos apropriados para a produção orgânica”, disse Luiz Rebelatto, do Sebrae Nacional, durante a 15ª edição da Feira Internacional de Produtos Orgânicos e Agroecologia (Bio Brazil Fair), que se encerra hoje (8) na capital paulista.

Ele contou que, na agricultura convencional, há uma série de insumos disponíveis, como adubos, agrotóxicos, fertilizantes químicos e sementes de alta produtividade.

Biofertilizantes e defensivos naturais

No entanto, os produtores orgânicos enfrentam a falta desses insumos, como biofertilizantes e defensivos naturais para afastar insetos ou doenças, além de sementes, por falta de pesquisa e também pela própria dinâmica de investimentos na agricultura convencional.

A agricultura orgânica também precisa de alguns insumos principalmente na fase inicial de transição agroecológica, quando uma unidade de produção deixa de ser convencional, para de usar produtos como agrotóxicos e fertilizantes químicos, e pode então ter a certificação da produção orgânica. Nessa conversão, o agricultor sente muito e cai muito a produtividade. É necessário que haja uma substituição de insumos, do químico para o orgânico”, disse Rebelatto. 

O segundo desafio mais citado foi a comercialização dos produtos orgânicos, com 48%. Na sequência, os produtores apontaram a assistência técnica (39%) e a logística (38%).

“Precisamos de assistência técnica capacitada, qualificada, para trazer essa informação [para o produtor]. Hoje, desde as universidades, dos institutos federais, da formação do agrônomo, do técnico agrícola, do veterinário, do zootecnista, do engenheiro florestal, é muito convencional. A formação é muito focada para o grande agronegócio convencional e não para a produção orgânica e ecológica, então temos uma carência de técnicos e uma falta de conhecimento apropriado sobre isso”, analisou.

No Brasil, a produção orgânica faturou R$ 4 bilhões em 2018, sendo que US$ 130 milhões (R$ 480 milhões) vieram das exportações, segundo a Organis, entidade que reúne empresas e produtores orgânicos. 

Soluções

Com esses quatro principais elementos identificados, o Sebrae começou a desenvolver este ano uma forma de aproximar produtores com os insumos orgânicos.

“Nós firmamos um convênio Sebrae-Embrapa para desenvolver a identificação de onde esses insumos estão. Estamos fazendo um grande mapeamento nacional com todas as empresas que produzem, com todas as lojas que têm a comercialização desses produtos, e vamos identificar com os endereços, fazer um aplicativo com GPS, para saber onde encontrar o insumo mais perto da sua produção”, afirmou.

O Sebrae identificou ainda uma possibilidade para novos empreendedores. “Estamos desenvolvendo alguns planos de negócio para que micro e pequenas empresas possam entrar no mercado de produção de insumos para agricultura orgânica, que, pela pesquisa, se identificou que é um grande filão de mercado”, finalizou. Da Agência Brasil, com edição de O Expresso.

A produção agrícola carece de racionalidade para regular e fiscalizar defensivos

Os produtores rurais tentam convencer o governo a criar uma autarquia para cuidar de agrotóxicos. Afirmam que a legislação brasileira é ultrapassada e que a autorização para que um novo produto seja vendido leva até seis anos. Nos Estados Unidos, sai na metade do tempo. No sonho de seus idealizadores, a autarquia seria uma forma de driblar os processo burocráticos dos ministérios do Meio Ambiente, da Agricultura e da Anvisa. A informação é Teresa Perosa, na coluna de Felipe Patury, da revista Época.

A inabilidade do Governo em regulamentar e fiscalizar um setor tão importante quanto o de defensivos agrícolas e pecuários só tem paralelo com aquela mesma falta de trato das ONGs fundamentalistas. É preciso produzir no País com determinação e com uma visão realista do que são agrotóxicos que podem contaminar consumidores, operadores e meio ambiente. O conflito de interesses da poderosa indústria de defensivos não deve prevalecer; nem os das organizações do terceiro setor alienígenas. O que deve prevalecer é mesmo o Senhor Mercado, principalmente o europeu, que restringe uma série de agrotóxicos na agricultura. Se o Brasil pode produzir alimentos cada vez mais orgânicos, com certificação, ganhará sempre uma parcela significativa de mercado.