Acusados de matar cinegrafista vão a júri popular

O momento em que o cinegrafista é atingido pelo rojão
O momento em que o cinegrafista é atingido pelo rojão

Os dois jovens acusados pela morte do cinegrafista Santiago Andrade, atingido por um rojão durante uma manifestação em frente à Central do Brasil, vão a Júri Popular. A decisão foi divulgada nesta terça-feira.
Caio Silva de Souza e Fábio Raposo Barbosa são acusados de terem acendido o rojão que atingiu Santiago na cabeça no dia 6 de fevereiro. O cinegrafista acabou morrendo poucos dias depois, em 10 de fevereiro.
De acordo com nota divulgada no site do Tribunal de Justiça, os dois jovens respondem por homicídio triplamente qualificado: motivo torpe, uso de explosivo e mediante recurso que tornou impossível a defesa da vítima. O juiz decidiu manter os réus presos e a data do júri somente será marcada após o julgamento dos possíveis recursos impetrados pela defesa. Foto de O Globo.

Preso o baderneiro do rojão que matou cinegrafista da Band

globo

Caio Silva de Souza, suspeito de acender o rojão que matou o cinegrafista da Rede Bandeirantes, Santiago Ilídio de Andrade, foi preso na noite de ontem em uma pousada de Feira de Santana. Hoje pela manhã ele chegou ao Rio de Janeiro, acompanhado do advogado, e foi escoltado direto para a carceragem.

O acusado  estaria fugindo para a casa de parentes, em Ipu, no Ceará. Segundo a polícia, Caio não reagiu ao ser preso.

A prisão foi efetuada pelo delegado que investiga o caso, Maurício Luciano de Almeida e Silva, da Polícia Civil do Rio, que estava acompanhado do advogado de Caio, Jonas Tadeu Nunes, que também defende outro envolvido no caso, Fábio Raposo, que está preso no Rio. Com informações do jornal O Globo.

Uma despedida da filha de Santiago Andrade.

O momento em que o câmera era envolvido no fogo da baderna e da anarquia.
O momento em que o câmera era envolvido no fogo da baderna e da anarquia.

A filha do cinegrafista (antigamente chamava-se assim) Santiago Andrade, Vanessa Andrade, tem 29 anos e também é jornalista. Ela escreve como foi a despedida do Pai, assassinado em praça pública por baderneiros a serviço de facções políticas. O texto é comovente:

Meu nome é Vanessa Andrade, tenho 29 anos e acabo de perder meu pai.
Quando decidi ser jornalista, aos 16, ele quase caiu duro. Disse que era profissão ingrata, salário baixo e muita ralação. Mas eu expliquei: vou usar seu sobrenome. Ele riu e disse: então pode!
Quando fiz minha primeira tatuagem, aos 15, achei que ele ia surtar. Mas ele olhou e disse: caramba, filha. Quero fazer também. E me deu de presente meu nome no antebraço.
Quando casei, ele ficou tão bêbado, que na hora de eu me despedir pra seguir em lua de mel, ele vomitava e me abraçava ao mesmo tempo.
Me ensinou muitos valores. A gente que vem de família humilde precisa provar duas vezes a que veio. Me deixou a vida toda em escola pública porque preferiu trabalhar mais para me pagar a faculdade. Ali o sonho dele se realizava. E o meu começava.
Esta noite eu passei no hospital me despedindo. Só eu e ele. Deitada em seu ombro, tivemos tempo de conversar sobre muitos assuntos, pedi perdão pelas minhas falhas e prometi seguir de cabeça erguida e cuidar da minha mãe e meus avós. Ele estava quentinho e sereno. Éramos só nós dois, pai e filha, na despedida mais linda que eu poderia ter. E ele também se despediu.
Sei que ele está bem. Claro que está. E eu sou a continuação da vida dele. Um dia meus futuros filhos saberão quem foi Santiago Andrade, o avô deles. Mas eu, somente eu, saberei o orgulho de ter o nome dele na minha identidade.
Obrigada, meu Deus. Porque tive a chance de amar e ser amada. Tive todas as alegrias e tristezas de pai e filha. Eu tive um pai. E ele teve uma filha.
Obrigada a todos. Ele também agradece.

Colegas depositam suas câmeras no local da morte de Santiago, como última homenagem
Colegas depositam suas câmeras no local da morte de Santiago, como última homenagem

É grave estado do cinegrafista da Band, vítima de protestos no Rio

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Fotos da Agência O Globo. O momento em que o cinegrafista é atingido pelo rojão.
Fotos da Agência O Globo. O momento em que o cinegrafista é atingido pelo rojão.

O cinegrafista Santiago Andrade, da rede Band, ferido na cabeça por uma explosão na noite desta quinta-feira, durante um protesto no centro do Rio, está internado em estado grave no Hospital Municipal Souza Aguiar. Até as 22h20, ele estava sendo operado. Segundo pessoas próximas da família, houve perda de massa encefálica. Uma sequência de fotografias do momento da explosão mostra o que parece ser um morteiro caído no chão, a poucos metros do cinegrafista. Em seguida, o artefato explode e o atinge na cabeça. Desacordado, ele larga a câmera e cai. O protesto convocado pelas redes sociais para esta quinta-feira é contra o aumento da tarifa dos ônibus no município do Rio. Leia mais no portal da Revista Veja.

Ou estamos tendo uma overdose de democracia ou estamos retornando à barbárie. Bandido mascarado, com sinalizador ou rojão caseiro na mão, tem que ser conduzido para a Polícia Judiciária, preso e julgado com celeridade. Manifestações de rua são saudáveis politicamente, mas enquanto pacíficas. Danos ao patrimônio e à vida do cidadão precisam ser coibidos com determinação.