Onde a obra de Paulo Guedes não deu certo: Presidente do Chile anuncia reforma no sistema de aposentadorias.

Caso a nova reforma seja aprovada, mais de 2 milhões de aposentados serão beneficiados

Foto: José Cruz/Agência Brasil
Foto: José Cruz/Agência Brasil

Por Marieta Cazarré

O presidente do Chile, Sebastián Piñera, anunciou que enviará ao Congresso projeto de lei com alterações no sistema de aposentadorias, que vão beneficiar mais de 1 milhão de cidadãos, especialmente mulheres, classe média e idosos com dependência severa. O anúncio foi feito na noite de quarta-feira (15), em um discurso em rede nacional de rádio e televisão.

Segundo Piñera, a reforma aumenta em 6% as contribuições a cargo dos empregadores, sendo que os recursos serão administrados por instituições públicas autônomas.

A reforma se baseia em três pilares. O primeiro é o chamado Pilar Solidário, financiado pelo Estado. O segundo, Pilar da Poupança Individual, é custeado tanto pelos trabalhadores quanto pelos empregadores. E o terceiro, o Pilar da Poupança Coletiva e Solidária, é bancado pelos empregadores, com aporte inicial do Estado.

Piñera afirmou que, desde dezembro, uma mudança no Pilar Solidário já contempla 1,6 milhão de aposentados, que tiveram aumento de 50% em suas aposentadorias.

Caso a nova reforma seja aprovada, somada à mudança feita desde dezembro do ano passado, mais de 2 milhões de aposentados serão beneficiados – o que representa 85% do total de aposentados chilenos.

Na nova proposta, os aumentos serão de 3% adicional e gradual a cargo do empregador, que se somam aos 10% de contribuição atual e complementam as pensões. De acordo com Piñera, isso significa aumento de 30% nas aposentadorias.

Em segundo lugar, na Poupança Coletiva será feito um aporte de mais 3%, também a cargo do empregador, com aporte inicial do Estado.

Os benefícios imediatos, segundo o presidente chileno, serão de 56 mil pesos chilenos para homens, o que significa aporte de cerca de R$ 300 por mês a mais de 500 mil aposentados, com aumento de 20%.

Para as mulheres, seriam 70 mil pesos chilenos, o que representa R$ 375 mensais, beneficiando mais de 350 mil aposentadas, com aumento de 32%.

Os idosos com dependência severa, que a cada dia são mais numerosos, também terão aumento adicional em suas aposentadorias, “pois precisam enfrentar maiores despesas”, afirmou Piñera.

“Antes, a terceira idade era uma espécie de antessala do fim da vida e muitos a esperavam com temor. Hoje é uma nova etapa em nossas vidas, que devemos olhar com esperança e que podemos seguir desenvolvendo nossas capacidades e, sobretudo, colher o que semeamos durante a vida”, disse o presidente durante o pronunciamento.

Para ele, a reforma dará duas garantias fundamentais aos cidadãos: a de que nenhum aposentado ficará abaixo da linha da pobreza, que é de 168 mil pesos chilenos (cerca de R$ 900); e a de que quem contribuiu por mais de 30 anos, sempre receberá pelo menos 301 mil pesos, que é o valor do salário mínimo atual (cerca de R$ 1.600).

A nova reforma abrirá também a administração dos fundos de pensão (AFP’s) a novos atores, como sociedades sem fins lucrativos, cooperativas afiliadas e outras, a fim de fortalecer a competitividade do setor, melhorar a qualidade dos serviços, reduzir as comissões cobradas e permitir que afiliados participem da criação de novas administradoras, além da possibilidade de participar mais ativamente em comitês de afiliados.

Piñera afirmou que a mudança terá alto custo para o Estado, mas não divulgou as cifras. “Ambas as reformas têm custo muito significativo e exigirão grande contribuição e tremendo esforço do Estado; temos que enfrentar as finanças públicas de maneira responsável”.

Acrescentou que, somada a outras iniciativas que vem aprovando, as reformas são fundamentais para trazer mais paz e dignidade aos chilenos.

Nessa linha, citou o projeto para endurecer as penas de crimes cometidos por pessoas com rostos encobertos e o que permite que efetivos das Forças Armadas sejam deslocados para resguardar infraestruturas de serviços básicos sem que seja necessário decretar estado de exceção. Piñera lembrou ainda a reforma da saúde, que visa a ampliar o acesso a tratamentos e exames, diminuir os preços dos remédios e reduzir o tempo de espera para consultas.

Desde outubro do ano passado, o Chile foi tomado por protestos contra as desigualdades, as baixas aposentadorias e o alto custo da saúde no país. Piñera afirmou que vem ouvindo, com humildade e atenção as demandas do povo e da oposição.

Aprovação de Piñera no Chile chega a 4,6%

O presidente chileno perdeu metade do já pouco prestígio que mostrou a pesquisa de outubro (quando tinha 9,1%), realizada uma semana depois dos primeiros protestos.

Para quem foi eleito com 55% e viu a popularidade cair para 42% e depois para 24%, isso serve como aviso de que mais ano um como esse, pode empatar com o Presidente chileno.

Aí qual será a opção: Amoedo, Dória, Caldeirão do Huck ou Tiririca?

Hoje as autoridades econômicas necessitaram vender quase meio bilhão de dólares das reservas cambiais brasileiras para segurar o dólar em R$4,22. Enquanto isso, fechado o saldo da balança comercial, concluiu-se que foi o pior nos últimos quatro anos.

Junto a essas boas notícias, a de que Donald Trump anunciou sobretaxas sobre o alumínio e o aço brasileiros.

Reinaldo Azevedo: Não era amor. Era cilada.

 

Presidente chileno rechaça ofensas de Bolsonaro sobre Bachelet

O jornalista Luiz Raatz relata, no Correio Braziliense, o profundo constrangimento do presidente chileno, Sebastian Piñera, com as declarações de Jair Bolsonaro sobre sobre a ex-presidente chilena Michelle Bachelet e seu pai, Alberto Bachelet, vítima da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).

“Não compartilho a alusão feita pelo presidente Bolsonaro a uma ex-presidente do Chile e, especialmente, num assunto tão doloroso quanto a morte de seu pai”, disse Piñera em pronunciamento no Palácio de La Moneda. As declarações de Bolsonaro provocaram mal-estar no governo chileno.

Imprensa, oposição chilena, membros do Governo e da diplomacia, rechaçaram as afirmações desrespeitosas de Bolsonaro.

Sobre educação e serenidade.

Não deu uma certa inveja? O presidente do Chile, Sebastian Piñera, mostrou serenidade e uma discreta elegância na retirada dos mineiros, durante as 24 horas em que lá esteve. Se fosse por aqui, não haveria aquele sorriso tranquilo e aqueles abraços sinceros. Não foi sem motivo que ele conseguiu vencer a ex-presidente Michelle Bachelet nas urnas. A bondade das pessoas está expressa na face, não tem como fugir disso.