Pesquisa ouviu 8,5 mil pessoas no Estado, além de coleta de sangue de cada um dos participantes.
De Felipe Samuel, do Correio do Povo.
Epidemiologista Eliana Wendland, do Hospital Moinhos de Vento, liderou o projeto da pesquisa
Epidemiologista Eliana Wendland, do Hospital Moinhos de Vento, liderou o projeto da pesquisa


O Brasil enfrenta uma epidemia de sífilis, Doença Sexualmente Transmissível (DST) causada pela bactéria Treponema pallidum. O Ministério de Saúde admite a epidemia. Mesmo assim, não lançou até o momento nenhuma campanha institucional educativa, que alertasse a população sobre o mal. A sífilis se manifesta inicialmente como uma ferida indolor, mais frequentemente localizada na genitália, no reto ou na boca. Em uma segunda fase, é caracterizada por lesões avermelhadas na pele, inclusive na palma de mãos e planta de pés. A partir daí, ocorre um período sem novos sintomas até a fase final (latência), que pode variar de meses a anos, levando a sérios danos para a saúde em geral e até à morte.
A médica ginecologista Juliana Pierobon, da Altacasa Clínica Médica, adverte que a população sexualmente ativa deve estar atenta e adotar medidas de prevenção, como a realização de exames médicos regulares e, principalmente, o uso de preservativo durante as relações sexuais.
“A sífilis é um mal silencioso. Após a infecção inicial, a bactéria pode permanecer no corpo por décadas, para só depois manifestar-se novamente. A doença é grave e não pode ser negligenciada”, ressalta.
Dados do Boletim Epidemiológico de Sífilis – 2018, publicado em novembro passado pelo Ministério da Saúde, apontam aumento no número de casos dessa enfermidade em todo o país e em todos os cenários da infecção. Em comparação a 2016, houve crescimento de 28,5% na taxa de detecção de sífilis em gestantes, 16,4% na incidência de sífilis congênita e 31,8% na incidência de sífilis adquirida.
A sífilis é uma doença infectocontagiosa, sexualmente transmissível. Embora seja transmitida pelo contato sexual, na maioria dos casos, ela pode aparecer também em decorrência de transfusão de sangue, por contato direto com sangue contaminado ou na forma transplacentária, transmitida da mãe para o feto, em qualquer período da gestação.
“É muito importante alertar que um terço das pessoas que tem um parceiro infectado adquire a doença. Os sintomas são mais evidentes nos estágios iniciais, quando o risco de transmissão também é maior. Depois, a bactéria fica latente no organismo. Se a doença não for investigada e tratada, pode voltar com agressividade, levando o indivíduo, muitas vezes, a complicações graves, como doenças cardíacas, transtornos mentais, cegueira, paralisia e até mesmo à morte”, adverte a ginecologista da clínica Altacasa, na capital paulista.
Por isso, a realização do teste de sífilis é fundamental, não só entre as gestantes, mas também entre os jovens, que em geral têm uma vida sexual mais ativa. É nesta faixa etária, inclusive, que foi registrado maior aumento de casos da doença nos últimos anos.
“Os jovens, que cada vez mais praticam sexo sem prevenção por não saberem muitas vezes do perigo das DSTs, precisam ser alertados. Acredito que o tema deveria ser discutido, inclusive, nas escolas e universidades. No caso das gestantes, é importante iniciar o pré-natal o mais cedo possível, com a inclusão do teste de sífilis (VDRL) no primeiro e no terceiro trimestre da gravidez, além de repetí-lo na hora da internação para o parto”, afirma a Dra. Juliana.
A sífilis tem cura. O tratamento é simples e feito com antibióticos. Todos que tiveram relação sexual sem proteção devem fazer o teste, que está disponível na rede pública de saúde.
“O teste que detecta a sífilis – e também o HIV – é rápido, seguro e sigiloso. É realizado a partir da coleta de uma gota de sangue da ponta do dedo. Depois de 20 minutos, em média, sai o resultado. O diagnóstico precoce é muito importante. Quanto mais rápida é a descoberta da sífilis, mais cedo é possível começar o tratamento, prevenindo doenças oportunistas. Além disso, a rápida conscientização sobre a doença possibilita que a pessoa não transmita a bactéria para seus parceiros.
“Na suspeita de algo diferente no seu corpo procure o médico, busque informações e utilize sempre o preservativo na hora do sexo”, conclui a especialista.
Evitamos publicar imagens chocantes de sífilis, mas o leitor, principalmente os mais jovens, devem ver fotos no Google para entender a extensão dessa doença.

Apesar de ainda ser tabu para muitas pessoas, as Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) estão presentes cada vez mais sociedade moderna. Entre as DSTs que retornaram está a sífilis que, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde, entre 2010 e 2015 houve um aumento de mais de 5.000%.
A sífilis é uma doença originada na Idade Média causada pela bactéria Treponema Pallidum. Segundo o ginecologista e obstetra, Domingos Mantelli, a doença pode ser transmitida por diversas formas: sexualmente, de mãe para filho, por transfusão de sangue ou por contato direto com o sangue contaminado.
“Surge como uma pequena ferida nos órgãos sexuais e com ínguas nas virilhas. As feridas são indolores e não apresentam pus. Após um certo tempo, a ferida desaparece sem deixar cicatriz, dando à pessoa a falsa impressão de estar curada. Se não tratada precocemente, pode comprometer olhos, pele, ossos, coração, cérebro e sistema nervoso”, alerta o médico.

De acordo com Mantelli, existem três estágios da doença: na primeira fase, os sintomas ficam mais evidentes e há maior risco de transmissão; no segundo estágio, a bactéria fica latente no organismo e no terceiro, a doença volta mais agressiva, causando cegueira, paralisia, doenças cardíacas, transtornos mentais e pode levar à morte.
“A sífilis pode causar um comprometimento muito sério no sistema nervoso, na audição e nos olhos. É importante lembrar que não existe uma vacina. A única forma de prevenir a sífilis é através do sexo seguro com camisinha uma vez que a transmissão se dá por relação sexual vaginal, oral e anal sem o uso de preservativos, além de transfusão de sangue”, acrescenta Mantelli.
O ginecologista adverte para o cuidado com o aumento da sífilis gestacional da mãe infectada para o bebê durante a gestação ou parto. “É necessário que, no início da gravidez, a paciente procure um obstetra para realizar o pré-natal e fazer todos os exames possíveis para diagnosticar qualquer doença.
O tratamento da sífilis é feito com antibióticos. O diagnóstico é feito por exames clínicos e laboratoriais, durante o pré-natal até o nascimento do bebê”, sinaliza o médico.
E o médico conclui: “não se vê quem tem alguma doença sexualmente transmissível pelo rosto ou documento. Há casos em que o próprio portador não faz ideia que está contaminado. A doença fica incubada e é transmitida por relação sexual sem proteção”.

Um rapaz de 17 anos foi diagnosticado com o vírus HIV nos postos de testagem rápida Fique Sabendo, instalados nos circuitos do Carnaval de Salvador.
De acordo com o secretário de Saúde de Salvador, José Alves, 1.326 pessoas fizeram o teste anti-HIV e associados a doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). Do total, foram 36 casos confirmados de HIV e 161 casos de sífilis.
Nos primeiros dias de atendimento do posto, que começou a funcionar no sábado (25), a maior procura era de homens. Mas desde essa segunda, o número entre homens e mulheres foram equiparados. As pessoas que confirmadas com HIV receberem ajuda de psicólogo na própria unidade, e já foram encaminhadas para tratamento com o coquetel de medicamentos.
Os pacientes identificados também passaram por uma entrevista, para que as pessoas que tiveram contato sexual com eles nos últimos tempos sejam instruídas a fazerem o teste de HIV.
O secretário diz que é necessário reforçar as campanhas e ações preventivas, pois o “jovem perdeu o medo de ter aids”. “Quem mais usa camisinha, tem mais de 29 anos. Temos que estimular o jovem a se prevenir e fazer com que a camisinha não saia de moda”, diz José Alves.
Mas ele afirma que o número de casos positivos não cresceu de 2016 para 2017 e que a porcentagem estava dentro do esperado. Alves também destacou a importância do teste rápido para sífilis, por ser uma doença facilmente curável, com injeção de penicilina benzatina.
“O tratamento é barato e simples. A sífilis é epidêmica por falta de cuidado”, alerta.