O governo federal criou, hoje, 8, a empresa pública responsável pela construção do trem de alta velocidade que ligará as cidades de Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro. Durante a assembleia-geral de constituição da Empresa de Transporte Ferroviário de Alta Velocidade (Etav) foram definidos os nomes dos integrantes dos conselhos Administrativo e Fiscal. Bernardo Figueiredo, ex-diretor da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), foi confirmado como diretor presidente da companhia. A empresa terá a incumbência de planejar e promover o desenvolvimento do transporte ferroviário de alta velocidade no país. A obra tem um orçamento total superior a R$ 33 bilhões.
Para um país que não tem trem de baixa velocidade e as composições urbanas prestam um péssimo serviço, criar uma empresa para alta velocidade não passa de presunção e incentivo ao cabide de empregos. O País não tem os recursos e dificilmente conseguirá parceiros para empreender uma obra de retorno financeiro duvidoso.
O Senado aprovou, nesta quarta-feira, a Medida Provisória 511, que trata da criação do trem de alta velocidade (TAV), conhecido como trem-bala, para ligar o Rio de Janeiro a São Paulo. A base aliada na Casa ficou dividida no início das discussões sobre o assunto, em função dos R$ 34 bilhões a serem investidos no projeto. O debate com a oposição durou mais de cinco horas, mas o governo conseguiu aprovar a medida sem alterações.
A Medida Provisória 511 autoriza a União a oferecer garantia para um financiamento de até R$ 20 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ao consórcio ganhador da licitação para a construção do trem-bala. O texto aprovado também cria a estatal Empresa de Transporte Ferroviário de Alta Velocidade S.A.
A emenda do deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP), que altera um artigo do texto da MP quando ela ainda estava na Câmara também permaneceu no texto, sem mudanças dos senadores. Ela permite à União conceder R$ 5 bilhões, na forma de redução de juros, se a receita bruta do trem-bala for inferior à prevista na proposta vencedora. A medida agora segue para sanção presidencial.
Como investir 10 bilhões em um trem para executivos e turistas?
O governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), vai negociar com o governo federal e a equipe de transição de Dilma Rousseff (PT) mudanças no traçado do Trem de Alta Velocidade (TAV). O próximo governo paulista quer que o TAV deixe de passar pelos Aeroportos de Viracopos (Campinas) e Cumbica (Guarulhos). A ligação deles com São Paulo seria feita por um trem expresso separado, que trafegaria a 160 km/h.
O atual traçado do TAV prevê ligar Campinas ao Rio, passando obrigatoriamente por São Paulo e por Cumbica no caminho. Mas, para a equipe que trabalha na transição do governo estadual, a melhor maneira de organizar o transporte entre os dois aeroportos e São Paulo é por meio de um trem regional, que poderia ser mais barato e ter saídas mais frequentes.
A ideia é que o TAV saia de São Paulo e, no caminho para o Rio, só tenha paradas depois da Região Metropolitana. A iniciativa privada seria responsável pela construção e administração da linha, que custaria por volta de R$ 3,5 bilhões. “O valor é três vezes menor que o custo do TAV estimado para o trecho, de cerca de R$ 10 bilhões”, disse Jurandir Fernandes, ex-secretário de Transportes Metropolitanos na gestão anterior de Alckmin e líder da equipe de transição.
Segundo Jurandir, outros trens regionais cujos estudos foram iniciados na atual gestão devem sair nos próximos anos. Além da linha entre os aeroportos, as prioridades são, pela ordem, as ligações São Paulo-São José dos Campos, São Paulo-Sorocaba e São Paulo-Santos. Rodrigo Burgarelli, Tiago Dantas – O Estado de S.Paulo.
Governador: esquece essa história de TAV para a Copa do Mundo. O remédio é mesmo um TMV (Trem de Média Velocidade) ou até mesmo um TML (Trem Muito Lento). O País não tem educação, saúde e segurança, três obrigações básicas do Estado. E mais: não tem portos, aeroportos, estradas e ferrovias de transporte de cargas. Como vai então aplicar 10 bilhões em transporte para turismo e executivos? O Brasil de São Paulo não recebe notícias do Brasil do Centro-Oeste, do Nordeste e do Norte.