A maior tragédia ambiental do País: Governo também deve ser responsabilizado

mariana

Cerca de 20 peritos criminais federais estão participando das investigações da Polícia Federal sobre o rompimento de uma barragem de rejeitos da mineradora Samarco, no dia 5 de novembro do ano passado, no município de Mariana, em Minas Gerais. Trabalho similar foi feito em 2003 na cidade mineira de Cataguases, onde, em 29 de março daquele ano, rompeu-se uma barragem com resíduos industriais sob responsabilidade da Indústria Cataguases de Papel.

Na época, o Laudo 1.362/2003, do Instituto Nacional de Criminalística (INC), identificou como causas do acidente problemas como a falta de manutenção e de fiscalização e o excessivo prolongamento da vida útil da barragem, o que resultou em um processo erosivo da obra. Segundo o laudo, a barragem tinha sido edificada em 1990 com uma estrutura provisória, que deveria durar apenas dois anos.

De acordo com a Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF), caso os alertas feitos pelos peritos – em especial os relativos à falta de fiscalização – tivessem sido ouvidos pelas autoridades, a tragédia ocorrida em Mariana poderia ter sido evitada, uma vez que é o poder público o responsável pela fiscalização de outras barragens.

“Tornamos pública essa preocupação com a falta de manutenção e fiscalização de tais obras, por meio de nossa revista institucional, que foi enviada a várias autoridades dos Três Poderes”, disse à Agência Brasil o presidente da APCF, André Morisson.

“Em artigo sobre deslizamentos e desabamentos, alertamos que os administradores públicos estavam delegando a terceiros a responsabilidade sobre a boa qualidade das obras e que, apesar dessa delegação, o poder público não está livre da obrigação de bem fiscalizar os contratos e sua execução, pois quem contrata mal também responde solidariamente pelos ônus”, acrescentou o perito.

Brasileiro se preocupa com a extensão da tragédia ecológica de Minas e Espírito Santo

Barragem de Germano: o dobro do tamanho de Fundão e Santarém, que  desabaram na segunda passada.
Barragem de Germano: o dobro do tamanho de Fundão e Santarém, que desabaram na segunda passada.

Enquanto os protestos de 15 de novembro reuniram 300 gatos pingados aqui e acolá, um evento colocado no Facebook, denominado “Não foi acidente. A Vale deve pagar”, reuniu mais de 30 mil acessos efetivos, em 48 horas, que clicaram em “tenho interesse” e “comparecerei”.

O ato está marcado para o centro do Rio de Janeiro nesta segunda-feira.

A tragédia tende a se repetir, agora com o dobro dos danos ecológicos. Nesta quarta-feira,  a zona de segurança em Mariana foi aumentada de três para dez quilômetros, pois “a barragem Germano trincou e há risco de rompimento”. A Samarco informou que faz obras para dar mais estabilidade à mina.

Se acontecer o desabamento de Germano, a tragédia ambiental, que já é a maior do País, pode ter consequências imprevisíveis no litoral de pelo menos três estados brasileiros: Espírito Santo, Bahia e Rio de Janeiro.

Foi acidente ou crime ambiental? Agora já são 26 desaparecidos na tragédia de Mariana

lama

Vale a pena visitar o site medium.com/jornalistas livres para ver a excelente matéria de Laura Capriglione, sob o título Tsunami de Lama. O material jornalístico é de primeira qualidade, inclusive a foto de Gustavo Ferreira, que reproduzimos acima.

Se matar um rio como o Doce em seus mais de 500 quilômetros de extensão não é um crime ambiental, o que seria? Se os técnicos da companhia responsável chegaram a conclusão que, por qualquer motivo, as barragens poderiam romper, sabiam que o rio Doce desapareceria para sempre com sua fauna e flora sub-aquática. E junto com o rio, os moradores das aldeias rurais próximas às barragens.