Mr. Borsalino, campeão mundial de marcha-a-ré, recua em relação à vacina chinesa.

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, em reunião com governadores nesta terça-feira (20), disse que a vacina chinesa contra a Covid-19 será comprada pelo governo federal e incorporada ao Programa Nacional de Imunizações, segundo a Folha de S. Paulo .

A vacina em questão é a Coronavac, desenvolvida pelo Instituto Butantan e pela Sinovac. Segundo o ministro, com base em dados fornecidos pelo Butantan, a vacinação é esperada para janeiro.

Atualmente o calendário nacional conta apenas com a vacina desenvolvida pela Oxford.

Agora, quando a vacina chegar, vamos ter que sair na rua e vacinar o gadinho fundamentalista e terraplanista, depois de laçado e maneado (piado, como se diz por aqui). A vacina terá que ser aplicado com pistola de aftosa, agulha grossa e na bunda, para não deixar dúvidas.

“Não será obrigatória e ponto final”, diz Bolsonaro sobre vacina chinesa.

Jair Bolsonaro foi gravado por seguidores nesta segunda (19), afirmando que a vacina desenvolvida pela chinesa Sinovac contra o coronavírus não será obrigatória, ao contrário do que afirmou, para a população de São Paulo, o governador João Doria.

A Coronavac é testada no Brasil pelo Instituto Butantan, de São Paulo, que já firmou convênio bilateral para importar e produzir milhares de doses no Estado.

Há alguns dias, o presidente do instituto, Dimas Covas, afirmou à imprensa que ainda não confirmou junto ao Ministério da Saúde se haverá compras pelo governo federal e distribuição pelo SUS.

Na semana passada, a Folha de S. Paulo também noticiou que o Ministério da Saúde já tem um projeto de programa nacional de vacinação para 2021, que exclui sumariamente, e sem explicações, a Coronavac.

Nesta segunda, Bolsonaro disparou que “tem um governador aí que está se intitulando o médico do Brasil dizendo que ela [a vacina] será obrigatória”. “Repito que não será”. “O meu ministro da Saúde já disse claramente que não será obrigatória esta vacina e ponto final”, afirmou.

Ainda na visão de Bolsonaro, a China, que tem mais de 1 bilhão de habitantes, deveria testar a vacina em massa antes de vender a outros países.

“Tem que ter comprovação científica. O país que está oferecendo esta vacina tem que primeiro vacinar em massa os seus, depois oferecer para outros países”, afirmou o líder de extrema-direita brasileiro.

“Da nossa parte, a vacinação, quando estiver em condições de, depois de aprovada pelo Ministério da Saúde e com comprovação científica e, assim mesmo, ela tem que ser validada pela Anvisa, daí nós ofereceremos ao Brasil, de forma gratuita, obviamente. Mas repito: não será obrigatória”, acrescentou.

Do jornal GGN, de Luís Nassif

Pela primeira vez vejo o Presidente certo, ao menos em um aspecto. Quem quiser se imunizar, tome a vacina. Quem não quiser, que siga se contaminando e eventualmente morrendo.

Agora, por outro lado, politizar também a vacinação é de uma burrice abissal. O que compromete não só o Presidente, como também o Governador de São Paulo, dois espécimes raros dessa tal “nova política”.

Dizem que o coronavírus se estabelece também no cérebro, dificultando ligações cognitivas. A prova pode estar aí, a olhos vistos.

Em tempo: o Ministro da Saúde de Bolsonaro é um general da arma de Intendência, portanto um completo néscio, de sorriso alvar, em termos de política sanitarista.