Agora assume Wilder, que perdeu a mulher para Cachoeira.

 

Desconfia-se que por causa de Andressa, tudo começou.

A cassação do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) abre caminho para o atual secretário de Infraestrutura de Goiás, Wilder Pedro de Morais (DEM-GO), 44 anos, primeiro-suplente de Demóstenes, assumir a vaga no Senado.

Novato na política, o democrata é bastante conhecido em Goiás e ficou em evidência após as denúncias contra Demóstenes por ser ex-marido de Andressa Mendonça, atual mulher do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Nascido na pequena Taquaral, a 80 quilômetros de Goiânia, Wilder morou na roça, teve problemas de saúde durante a infância e enfrentou a pobreza antes de se tornar multimilionário e um dos donos do Grupo Orca, holding que atualmente conta com cerca de 15 empresas e atua construção civil, incorporações e shoppings centers. Do G1.

A defesa apaixonada da mulher de Carlinhos Cachoeira.

Andressa Alves Mendonça, mulher do contraventor Carlinhos Cachoeira – preso pela Operação Monte Carlo e acusado de comandar um esquema de jogos ilegais – disse que o empresário se considera um “preso político”.

“Ele acha que fizeram ele de bode expiatório. Fiquei muito chateada quando um senador, acho que Pedro Simon [PMDB-RS], disse que ele é o futuro PC [Farias]. Pegaram o Carlinhos, julgaram, condenaram e agora querem matar”, afirmou Andressa.

Ao ser perguntada se sabia das atividades do marido, ela minimizou as denúncias e disse que o bicheiro batalhava somente pela legalização do jogo. “Lá fora, Carlinhos seria considerado um grande empresário. Aqui, é contraventor. Na Copa, milhares de estrangeiros vêm ao Brasil. Onde irão se divertir? Ele está batalhando. Ninguém quer ficar na informalidade. Ele também não”, argumentou.

Andressa ainda disse sentir “revolta e tristeza” ao ver o marido retratado como líder de quadrilha. “O Carlinhos que eu conheço faz caridade, doa caminhão de macarrão para creche, doa caminhão de brinquedo. É humano, comprometido e responsável”, declarou.

Da Folha de São Paulo, editado por Bahia Notícias, com foto de Carlos Costa, da Agência Estado.

Ninguém me tira da minha cabeça perversa que a debacle de Carlinhos Cachoeira e Demóstenes começou pela troca de maridos de Andressa. A situação do suplente do Senador, Wilder Pedro de Morais, poderia transitar entre a mágoa de ter perdido a mulher e a oportunidade de assumir a titularidade do Senador. É óbvio que a Polícia Federal começou o controle de Demóstenes depois que ele caiu na rede de escuta de Cachoeira. Mas informações adicionais, no curso das investigações, seriam de muita utilidade.  Perder um piteuzinho como esse e ficar conformado, ninguém fica. 

 

Andressa, que amava Carlinhos Cachoeira, que amava Demóstenes, que amava Perillo, que amava Wilder…

Andressa ao lado do ex-marido.

O dinheiro remove montanhas. A defesa de Carlinhos Cachoeira está sendo feita por Márcio Thomaz Bastos, pela módica quantia de R$15 milhões. Em três prestações mensais. A esposa do empresário, Andressa Morais, nascida Alves Mendonça, foi visitá-lo esta semana, em Mossoró, e usou um jatinho para o deslocamento. Valor da despesa: R$60 mil. Como diz um leitor, quero ser pobre apenas um dia. Ser todos os dias já me cansou.

Notáveis coincidências

Caso o senador Demóstenes Torres renuncie ao mandato ou seja cassado, a primeira opção para substituí-lo é seu primeiro-suplente, o empresário Wilder Pedro de Morais. Reportagem do jornal Correio Braziliense publicada nesta terça (3) indica que, assim como Demóstenes, ele também guarda relações próximas com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. Próximas e problemáticas.
A ex-mulher de Wilder Morais, Andressa Alves Mendonça, admitiu ter se separado do suplente de Demóstenes para ficar com o contraventor.

— O Wilder ofereceu um jantar uma vez e alguém levou o Carlinhos até esse jantar. Depois, me separei e fiquei muito próxima ao Carlinhos.

Andressa viveu com Carlos Cachoeira durante oito meses, até a prisão do contraventor, no último dia 29 de fevereiro. A história foi trazida a público inicialmente pelo próprio senador Demóstenes. Em entrevista, assim que foram divulgados os primeiros registros de conversas entre ele e o bicheiro, o senador comentou a troca de maridos feita por Andressa e disse ter ligado para Cachoeira para resolver o “problema”.
Na única vez em que foi ao plenário do Senado justificar seu envolvimento com o empresário do ramo de jogos ilegais Carlos Cachoeira, no dia 6 de março, o senador Demóstenes Torres repetiu a explicação.
— As ligações telefônicas apontam para conversas triviais e tiveram sua frequência ampliada durante o período em que eu e minha mulher interferimos numa questão pessoal da amiga dela, esposa de Carlos Cachoeira. Um único episódio das gravações telefônicas diretamente ligado a mim é de ordem estritamente privada.

De acordo com Andressa, Cachoeira e seu ex-marido, que é o atual secretário de Infraestrutura do governador de Goiás, Marconi Perillo – que também aparece em gravações da polícia Federal durante conversas com o bicheiro -, hoje são inimigos.