Dengue: como combater o mal pela raiz?

O atendimento na UPA ontem à noite estava demorando pouco mais de uma hora, a maioria dos pacientes com fortes sintomas de dengue. Como pode acontecer uma epidemia tão forte, num ano que choveu tão pouco? A explicação é simples: depósitos de lixo em terrenos baldios, águas servidas escorrendo pelas ruas, respiradouros de fossas abertos, descuidos com vasilhames e vasos nas casas.

O trabalho de prevenção à dengue pelos agentes de saúde é intenso, mas de nada isso adianta quando a maioria do povo não tem educação ou não está alertada, didaticamente, para o assunto.

Aí chegamos ao ponto crucial: os meninos e as meninas que estão na escola fundamental estão sendo instruídos sobre o assunto?

E aqueles alunos do ensino médio, mais de 1.300, que estão fora da sala de aula? Eles poderiam se tornar agentes de medidas para evitar a proliferação do mosquito, entre seus vizinhos, nas suas ruas, na sua quadra.

A gestão pública da saúde não pode ser apenas curativa. Um litro de soro glicosado e uma injeção de dipirona resolvem parte do problema, podem até custar pouco – na verdade não custa – mas uma ação comunitária, educativa e preventiva teria ainda menor custo e formaria cidadãos, não pacientes.

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Autor: jornaloexpresso

Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril

2 comentários em “Dengue: como combater o mal pela raiz?”

  1. Concordo com Mario Machado.
    É certo que o trabalho dos agentes de endemias é intenso, para eliminar os criadouros, mas não vejo nenhuma ação para eliminar os mosquitos que já voam pela cidade. Na minha casa, todos os dias encontramos o mosquito da dengue, mesmo tomando medidas preventivas contra os criadouros.
    Pra se ter uma ideia: Cada fêmea coloca ovos a cada 72 horas, em média de 50 a 200 ovos por vez. A longevidade de um mosquito adulto é de até 30 dias. Os ovos de fêmeas infectadas já eclodem com larvas infectadas. Imaginem quantas pessoas uma fêmea infectada pode picar em 30 dias?
    Diante disso, não basta eliminar os criadouros sem eliminar os mosquitos na fase “alada”. Mas a ação de aplicar o fumacê é decisão da Vigilância Epidemiológica do Estado, e neste caso, dependemos da boa vontade de Salvador para a aplicação deste dispositivo de combate ao mosquito.

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