Governo endurece o jogo e acaba com barreiras nas estradas. Pauta de reivindicações continua.

IMG_0439

A Polícia Rodoviária Federal coibiu hoje à tarde as barreiras que os manifestantes ergueram na BR 242, em Barreiras e Luís Eduardo Magalhães, e na BR 020, na saída Sul da cidade e em frente à Bunge Alimentos. O movimento desorganizou-se rapidamente com a chegada da PRF e a concordância de alguns caminhoneiros em interromper o protesto, acabando por liberar todos os caminhões retidos.

Até o final da tarde, o movimento de caminhões em Luís Eduardo era intenso, com trânsito lento e interrompido, pois muitos começaram a deixar os postos e procurar os destinos de viagem ou os locais de carregamento. Na rótula das Palmeiras, entrocamento das BRs 020 e 242, o trânsito chegou a ficar parado por 10 minutos.

Adriano Banedito Zanpolin (ao centro da foto acima, de camisa amarela), 41 anos, paulista de Santo Anastácio, mas morador de Luís Eduardo, foi um dos que lamentou o fim do movimento:

– O Ministro dos Transportes e a Presidenta da República ignoraram nossos apelos, alegando manutenção da ordem. Mas nós nos tornamos párias da sociedade, temos que pagar até para tomar um banho nos postos de gasolina, não temos aposentadoria especial e a maioria está acabando com a saúde, tomando “arrebites” para poder viajar sem parar e pagar as prestações dos caminhões.

Nós queremos combustível mais barato. Ele pode ter um preço menor se os governos estaduais retirarem o ICMS,  se pararem de investir em locações de veículos e em propaganda como faz o Governo da Bahia.

Edmundo Santos Silveira (a esquerda da fotol), 37 anos, de Vitória da Conquista, faz outra constatação:

“Um terço dos caminhoneiros autônomos está com seus veículos procurados por execução das financeiras, pagando prestações altas por conta de juros. Eu mesmo economizei 16 anos para dar entrada no caminhão, um bi-trem 7 eixos, e agora com as altas repetidas do combustível, não consigo pagar mais as prestações. Corro o risco de perder tudo.

PRF afirmou que se movimento não for unânime é preciso liberar todos os caminhões nas barreiras
PRF afirmou que se movimento não for unânime é preciso liberar todos os caminhões nas barreiras

Outra denúncia grave dos motoristas é que as empresas não aumentam o frete, forçando o motorista a aumentar o peso da carga.

“É prática comum as empresas fornecerem duas notas, uma da carga permitida e outra suplementar, para que a fiscalização da PRF não tenha prova do excesso de peso. Por isso estamos reivindicando a instalação de uma balança, entre Luís Eduardo e Barreiras, para fiscalizar o peso. Mais peso, menor preço do frete, custo maior de combustível e de manutenção do caminhão. Quem anda com peso certo, não consegue nem pagar o combustível”, dizem em coro.

Os caminhoneiros prometem voltar no dia 11 a erguer as barreiras nas estradas, até que o Governo atenda as reivindicações.

IMG_0425

O trator do Governo

A Agência Brasil divulgou, às 13 horas, que o Governo Federal vai investigar a paralisação dos caminhoneiros, mostrando que está disposto a interromper de vez as manifestações:

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, determinou, hoje (3) a abertura de inquérito para que a Polícia Federal (PF) investigue a atuação do Movimento União Brasil Caminhoneiro (MUBC) na convocação da paralisação geral da categoria. Desde segunda-feira (1º), caminhoneiros bloqueiam trechos de rodovias em diversos estados para reivindicar redução nos custos dos transportes, o que inclui diminuição nos preços dos pedágios e do óleo diesel.

A decisão de Cardozo se dá em resposta a um pedido encaminhado pelo ministro dos Transportes, César Borges. Segundo o documento, enviado por Borges, o representante do MUBC, Nélio Botelho, declarou à imprensa que, a partir de 48 horas de paralisação, haveria desabastecimento em todo o país, principalmente em relação a produtos essenciais, como combustíveis e gêneros alimentícios.

“Diante dessas notícias, dos documentos que acompanham o presente expediente e da constatação de que as paralisações em rodovias federais ainda estão ocorrendo, solicito a Vossa Excelência a adoção das providências cabíveis para apuração de eventual ilícito penal praticado”, diz o documento.

IMG_0434

antoniettamaluca

Avatar de Desconhecido

Autor: jornaloexpresso

Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril

Uma consideração sobre “Governo endurece o jogo e acaba com barreiras nas estradas. Pauta de reivindicações continua.”

  1. Parabéns aos caminhoneiros, na pessoa do Adriano, que de forma ordeira conduziram as paralisações em Luis Eduardo Magalhães, e deixaram a sua marca nas reivindicações.

Deixar mensagem para Bispo Ricardo Cancelar resposta