Em 1972 vazão mínima dos rios do Oeste já era igual as de hoje.

rio de ondas

Constatação do jornalista Eduardo Lena, no jornal Nova Fronteira: rio de Ondas está com baixo nível, com vazão de 23.3 metros por segundo. No entanto, o mesmo jornalista adverte que a vazão mínima do rio, em dados registrados em 1972 pela Companhia de Desenvolvimentos dos Vales do São Francisco e Parnaiba (Codevasf), quando se chamava Sulvale, indicam que os rios do Oeste da Bahia já tiveram seus volumes reduzidos em decorrência de estiagem na região. Nesse ano, quando não existia nenhum pivô central em toda a Bahia, a vazão mínima chegou a 25 m/s.

A maioria dos equipamentos de irrigação gastam 150 metros cúbicos por hora. A vazão residual seria suficiente para ligar 552 equipamentos do tipo pivô, durante 24 horas por dia. Hoje, os equipamentos da região são ligados entre 7,5 e 8 horas por dia, para se aproveitar da tarifa beneficiada. Mesmo assim, quando estão todos ligados, costumam desligar em cascata, pela deficiência da energia. Religar os pivôs demanda tempo.

Hoje a grande maioria dos pivôs não é ligada durante a estação seca. Só são ligados na estação das chuvas, para irrigação de salvação ou para antecipar colheitas, a partir de outubro, com objetivo de fazer duas safras.

Ao mesmo tempo é de se perguntar: quantos habitantes existiam em São Desidério, Barreiras e Luís Eduardo Magalhães em 1972 e qual era o seu consumo de água. Para começar, Luís Eduardo não existia nem como distrito e São Desidério e Barreiras não passavam de corrutelas sertanejas, com menos da metade da sua população atual.

Há 5 anos não chove no Oeste baiano. É óbvio que isso vem diminuindo a vazão de nascentes e o nível dos lençóis freáticos superficiais e profundos que alimentam os rios. Portanto, demonizar os avanços tecnológicos da irrigação só vai afastar, ainda mais, a cadeia produtiva do agronegócio da região. Foto de Sigi Vilares.

 

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Autor: jornaloexpresso

Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril

2 comentários em “Em 1972 vazão mínima dos rios do Oeste já era igual as de hoje.”

  1. Acredito que em 1972 não existia essa quantidade absurda de pivores de irrigação no Rio de Ondas. Recomendo que o Ibama sobrevoe o Rio de Ondas na região do cerradão entre Barreiras e LEM. Não sei como ainda tem água nesse rio!!!!!!

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