*por Nelson Sá
O acompanhamento das áreas de produção agrícola com uso de recursos de sensoriamento remonto tem se mostrado uma ferramenta eficaz para monitoramento de produção e planejamento de atividades de manejo. Com tecnologia capaz de analisar as imagens recebidas por satélite, é possível obter acompanhamento e rápido.
O estudo é possível pois a banda de radiação do NIR (Infra-Vermelho Próximo) é muito precisa para captar o vigor das plantas, diferenciando plantas vigorosas (que refletem mais o NIR) e plantas mais fracas (que absorvem a radiação). Sendo assim, as imagens em NIR obtidas por satélites de última geração são tratadas por uma equação chamada NDVI (Índice de Vegetação por Diferença Normalizada), que transforma em tons de cores as distintas leituras de NIR, possuindo alta correlação com índice de área foliar (IAF) e vigor das plantas.
Ao final, são elaborados mapas que descrevem a distribuição do vigor das plantas no campo, que permitem o acompanhamento “in season” da evolução dos campos de produção agrícola, a fim de identificar zonas que merecem mais atenção.
Entre os benefícios, podemos citar a rápida detecção de falhas na irrigação ou em operações mecanizadas, como adubação, preparo do solo ou fitoxidez por agroquímicos; manchas de solo com baixa produtividade, áreas com erosão laminar, depósitos de calcário; identificação de reboleiras de baixo vigor causadas por nematoides ou patógenos de solo; zonas com vigor abaixo do esperado, possíveis deficiências nos equipamentos de irrigação, regiões com maiores potenciais de produção, entre outros.
Na imagem abaixo observa-se tons de vermelho e amarelo em uma parte da borda do pivô, neste caso trata-se da área mais alta do terreno e foi identificado pressão abaixo da mínima necessária na ponta do equipamento, o que causa desuniformidade e aplicação de água abaixo do necessário para as plantas a área afetada neste equipamento foi de 2,1ha.
Exemplo 1 – Milho semente aos 60 dias após o plantio, imagem obtida em 25-05-15. Fonte: Geosys
Já na sequência abaixo observa-se claramente a marca Irriger/Farmers Edge deixada pela posição dos antigos pivôs onde o solo já estava corrigido e plantas menos vigorosas que foram inseridas no pivô. Ressalta-se que muitas destas diferenças não são perceptíveis a olho nu e causam diferenças em produtividade.
Exemplo 2 – Resposta no vigor das plantas com a mudança da posição dos pivôs, imagem obtida em 04-07-15. Fonte: parceria Irriger/Farmers Edge
Abaixo observa-se uma zona de baixo vigor no pivô em formato de anel que é atribuído a algum emissor entupido ou montado com vazão inadequada, este diagnóstico pode ser feito antes de serem apresentados sintomas visíveis no campo, pois a imagem com o tratamento em NDVI é muito precisa para detectar diferenças no vigor vegetativo das plantas.
Exemplo 3 – Anel formado por emissor entupido ou inadequado, imagem obtida em 03-08-15. Fonte: parceria Irriger/Farmers Edge
* Nelson Sá é engenheiro agrônomo, gerente de Irriger no Centro-Oeste.
Sobre a Irriger – A Irriger nasceu há dez anos, dentro da Universidade Federal de Viçosa, como uma linha de pesquisa da instituição. Diante da importância que a irrigação agrícola conquistou dentro do cenário mundial, o projeto acabou se transformando e ganhando novas proporções. “Desde 2010, a empresa trabalha para equilibrar a necessidade de aumento da área irrigada no país, para produção de alimento em maior quantidade e com maior rentabilidade, ao mesmo tempo em que se faz necessário o uso eficiente e racional dos recursos naturais”, afirma o professor.
Diante dessa demanda, surge a fusão coma Valmont, multinacional americana do ramo de irrigação por pivôs centrais. “O novo aporte permitiu estruturação administrativa e crescimento com manutenção da qualidade de serviços”, explica o professor. Desde então, a área de atuação da Irriger cresce em média 28 mil hectares por ano, dobrando seu faturamento anualmente. Ao todo são 250 mil hectares gerenciados que produzem safras correspondentes a 400 mil ha/ano. Além do Brasil, o sistema Irriger gerencia lavouras de diversas culturas na Índia, Rússia, Sudão e México.
