Putin está ganhando a guerra: UE autoriza transporte de cargas russas para Kaliningrado.

Kaliningrado, que tem um porto do Báltico, foi anexada pela União Soviética da Alemanha após a Segunda Guerra

Kaliningrado, o exclave russo no Báltico.

Sem gás para aquecimento e para a indústria, em crise econômica que se avizinha grave, a União Europeia começa a ceder lentamente às exigências de Putin. Ontem o Governo Norte-Americano ordenou a retirada de todos os cidadãos da Ucrânia, prevendo uma escalada russa na guerra.

A Comissão Europeia anunciou na quarta-feira (13/07) que as sanções comerciais contra Moscou pela guerra na Ucrânia não se aplicam ao transporte ferroviário entre a Rússia e o seu exclave europeu de Kaliningrado, desde que os volumes não sirvam a propósitos militares e não excedam suas médias nos últimos três anos, refletindo “a demanda real por bens essenciais no destino”.

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Kaliningrado, que faz fronteira com estados da União Europeia (UE) e depende de ferrovias e estradas através da Lituânia para a maioria das mercadorias que recebe, teve alguns transportes mercantis da Rússia continental cortados a partir de 17 de junho devido às sanções impostas por Bruxelas.

As sanções foram concebidas para impedir a entrada no bloco de determinados produtos russos, como vodka e aço.

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Apesar do aval da UE, a Lituânia disse que manterá temporariamente as restrições enquanto elabora novas regras para suspender o bloqueio.

A decisão foi anunciada nesta quinta-feira pela primeira-ministra do país, Ingrida Simonyte. O Ministério do Exterior da Lituânia disse que as regras anteriores que impediam muitas cargas sancionadas de chegarem a Kaliningrado eram “mais aceitáveis”.

“As regras de trânsito para Kaliningrado podem criar uma impressão injustificada de que a comunidade transatlântica está relaxando sua posição e política de sanções em relação à Rússia”, afirmou a pasta em nota. Moscou havia acusado a restrição do trânsito terrestre de mercadorias entre a Rússia continental e Kaliningrado de ser um bloqueio ilegal, enquanto a Lituânia disse não ter outra escolha a não ser fazer cumprir as regras impostas por Bruxelas.

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No começo desta semana, a Lituânia expandiu as sanções, incluindo mercadorias como concreto, madeira, álcool e produtos químicos industriais à base de álcool. “Decisão da Comissão demonstra realismo”

O porta-voz do Ministério do Exterior da Rússia disse, em nota, que a decisão da Comissão Europeia era uma demonstração de “realismo e bom senso”. “Embora ainda tenhamos perguntas sobre o conteúdo deste documento”, acrescentou.

O governador de Kaliningrado, Anton Alikhanov, escreveu no Telegram que as novas diretrizes são “apenas o primeiro passo necessário” para resolver o impasse.

“Continuaremos a trabalhar para a completa remoção de restrições”, ressaltou. Monitoramento Os membros da UE foram encarregados de monitorar o comércio entre a Rússia e Kaliningrado para verificar se há tentativa de contorno das sanções, certificando-se de que “não há fluxos ou padrões comerciais incomuns”.

O trânsito de bens militares e de tecnologias e itens de dupla utilização sancionados continua totalmente proibido.

Kaliningrado, que possui um porto do Báltico e abriga cerca de 1 milhão de pessoas, foi anexada pela União Soviética da Alemanha após a Segunda Guerra Mundial e está ligada ao resto do Rússia apenas através do território da UE, principalmente por ferrovia através de Belarus e pela Lituânia.

Itens que se enquadrem nas categorias humanitárias ou essenciais, como alimentos, sempre estiveram isentos das sanções. O tráfego de passageiros não é proibido, e Kaliningrado ainda pode ser alcançado por ar ou mar. (Reuters, DPA, AFP)

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Autor: jornaloexpresso

Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril

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