
Em conversa ríspida nesta semana, integrantes da cúpula do PP tretaram feio. O motivo, como era previsível antes da campanha: dinheiro.
Líderes regionais como Aguinaldo Ribeiro (Paraíba) e Dudu da Fonte (Pernambuco) cobraram a liberação de mais verbas do fundo eleitoral. Reclamaram que estão sendo boicotados por Arthur Lira, Ciro Nogueira e Ricardo Barros.
Aguinaldo e Dudu são da ala do PP que prefere compor com Lula. Eles se recusam a pedir votos para Bolsonaro e a ajudar na construção de palanques que ajudem o presidente a avançar num eleitorado fiel ao petista.
Ciro e Lira retorquiram que, se os descontentes querem dinheiro para suas campanhas, precisam se empenhar antes na campanha que será lucrativa a todos – a de Bolsonaro.
O avanço de Aguinaldo e de Dudu não é fortuito nem surpreendente. Com exceção da Região Sul, onde o apoio ao presidente é sólido, outros líderes também querem tocar suas campanhas locais sem se comprometer com Bolsonaro. Temem alienar eleitores lulistas e dificultar uma conciliação com o PT, em caso de vitória nacional do partido.
A cúpula do PP, que aposta fortemente na reeleição de Bolsonaro e na consolidação do partido como a sigla mais influente de Brasília, pretende tratar os rebeldes com severidade. O instrumento mais útil é controlar a liberação de dinheiro de campanha.
Diante da força de Lula no Nordeste, todos os envolvidos na treta sabem que ela está longe de acabar.
De O Bastidor
