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Europa retorna à adubação com esterco de gado e de porco.

27/08/2022

Um dos efeitos indiretos da guerra na Ucrânia é a escassez de fertilizantes artificiais, nos quais a agricultura comercial se baseia. Entram em cena o esterco e a urina do gado, como forma de adubo natural.

Adubo orgânico não só cheira mal, mas pode contaminar água do solo

Adubo orgânico não só cheira mal, mas pode contaminar água do solo quando usado sem fermentação adequada. © Erich Geduldig/imageBROKER/picture alliance. Conteúdo DW.

Sem adubo, quase nada acontece no campo. Para obter um rendimento economicamente sustentável, um agricultor precisa reavivar a fertilidade dos solos, já bastante esgotados, com o emprego de fertilizantes, e há diversas décadas se utiliza para tal sobretudo produtos artificiais.

Indispensável não é só o nitrogênio, que promove o crescimento vegetal, mas também os outros macronutrientes primários (fósforo, potássio) e os secundários (enxofre, magnésio, cálcio). Nos adubos artificiais, sua dosagem pode ser adaptada exatamente às necessidades locais.

Até certo ponto, um fertilizante orgânico também é capaz de desempenhar essa função. Os agricultores espalham esterco e urina de diversos tipos de animais por suas plantações, muitas vezes para desgosto dos vizinhos, sobretudo devido ao cheiro de amoníaco do chorume (adubo líquido), que paira durante dias e abrir a janela para ventilar só piora a situação.

Estrume e chorume em alta

Até o momento, a diretriz da política alemã tem sido reduzir a quantidade de adubo animal nos campos. Não por causa do mau cheiro, mas para proteção da água no solo. Contudo este é outro ponto em que a invasão da Ucrânia pela vizinha Rússia frustrou as boas intenções, já que para produzir fertilizantes artificiais é necessário gás, combustível fóssil que a guerra tornou escasso e cada vez mais caro.

Assim, os tão malquistos estrume e chorume ganham novo status. A Associação dos Agricultores Alemães (DBV) confirma que esses dejetos da pecuária voltaram a ter grande demanda, diante da alta dos adubos artificiais. Não só o seu preço triplicou ou quadruplicou em relação ao ano anterior, também está difícil sequer encontrá-los.

“Se o fertilizante natural se torna mais caro e mais escasso, todas as fontes orgânicas de nitrogênio ganham valor e atratividade”, comentou à agência de notícias DPA o secretário-geral da DBV, Bernhard Krüsken. O movimento nos mercados de adubos é grande: “Bolsas de adubo apresentam demanda mais intensa. Isso também se expressa no aumento dos preços de venda e no fato de o produto em parte estar sendo transportado por distâncias maiores do que antes.”

O dado é confirmado por Edelhard Brinkmann, do Banco de Adubos Weser-Ems, atuante no noroeste da Alemanha. Segundo ele, a procura por fertilizantes orgânicos “cresceu fortemente” no último ano, não só devido ao encarecimento do gás, mas também à volatilidade dos preços do produto: “O que custa hoje 900 euros, você consegue amanhã por 600” – e vice-versa também, claro.

Adubos orgânicos não são tão bons quanto artificiais

Um banco de adubos é uma espécie de corretora que coloca em contato fornecedores e compradores, num mercado relativamente desorganizado. O Weser-Ems tem uma frota de veículos própria e leva o chorume de uma fazenda onde ele é supérfluo, a outra onde é urgentemente necessário.

No Brasil, não são poucos os produtores rurais que estão usando estercos de porco, gado bovino, resíduos de compost barn, de vacas leiteiras confinadas, pó-de-pedra, cama de frango, esterco de poedeiras e rocha de fosfato pura.

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