1) A imensa maioria dos eleitores já se definiu. Para a minoria que admite mudar o voto, o presidente não é a primeira opção.
2) Mais da metade dos brasileiros continua afirmando que não votaria em Bolsonaro de jeito nenhum, apesar da chuva de benesses da máquina pública e da leve melhora da economia.
É verdade que pesquisas refletem o momento e não devem ser usadas para fazer previsões. Mas há algo no horizonte que poderia alterar de forma significativa o atual quadro de quase estabilidade dos candidatos?
E houve, claro, a grande aposta do bolsonarismo na tentativa de cooptar os mais pobres com o Auxílio Brasil temporário de R$ 600 – benefício que só faz sentido neste momento sob a lógica eleitoreira, já que, segundo o próprio governo, a economia está bombando e a pandemia ficou para trás.
O dinheiro já chegou a 20 milhões de famílias, um contingente gigantesco. Nas duas últimas semanas, porém, a taxa de intenção de voto em Bolsonaro apenas oscilou de 23% para 25% na faixa da população que ganha até dois salários mínimos, segundo o Datafolha. Nesse segmento, Luiz Inácio Lula da Silva segue o líder disparado, com 54% (tinha 55% no dia 18 de agosto).
Se estimarmos que há três eleitores em cada família, e que de fato houve o pequeno avanço detectado pelo Datafolha, o presidente virou o voto de apenas 3 de cada 100 pessoas potencialmente beneficiadas pelo Auxílio Brasil turbinado. Depois de passar duas décadas associando Bolsa Família a compra de votos, Bolsonaro deve estar perplexo com os efeitos pífios de sua cartada.
Então a eleição está decidida? Observem que, lá no alto, não escrevi que uma vitória de Bolsonaro é impossível, mas que é quase tão improvável quanto um milagre envolvendo o coração do ex-imperador.
Considerando que o atual presidente já defendeu em mais de uma ocasião a eliminação física de adversários, não é desprezível o risco de que o coração de um deles deixe de bater, por ação de algum extremista que interprete a mensagem como missão patriótica.
Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril
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Uma consideração sobre “Virada de Bolsonaro é quase impossível; leia análise.”
se não houver fraudes, quero ver dia 03 de outubro o que dirão!!
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