Por Maurício Falavigna, no Reconta aí
Algumas máscaras caíram durante a semana, até minutos antes do debate. Juízes que prometeram, “desta vez”, não compactuar com notícias falsas foram tão ou mais omissos que o TSE em 2018. Mais do que isso, vetaram propagandas eleitorais que apresentavam palavras do candidato do governo, vetando discussões comportamentais de séria gravidade para a sociedade brasileira, como pedofilia e exploração sexual infantil.
Pelo seu lado, a mídia assumiu totalmente o lado do Judiciário, amenizando as mesmas questões. Por fim, o atual presidente levou, em seu staff, a figura de Moro para o debate. Lula foi ao debate contra o Golpe, que levou todos os seus exércitos –mídia, Judiciário, Lava Jato e seu próprio capitão, já liberado para continuar mentindo e propagando crimes, como portou-se em toda a sua vida política e privada.
Na primeira pergunta de jornalistas, a bola foi levantada para que, enquanto Lula apresentasse uma fala republicana e constitucional, o capitão mantivesse a farsa de oposição ao Judiciário. Na segunda, foi alegado que a “opinião pública” desejaria saber sobre política econômica: teto de gastos e privatizações. Na verdade, essa é a cobrança dos meios de comunicação e do mercado. Ainda não foi relatado nos anais científicos um debate sobre teto de gastos nos bares, filas de supermercado ou pontos de ônibus. Mas a “opinião pública clama por isso”. Na terceira, a jornalista igualou as mentiras nas duas campanhas, nivelando os dois candidatos. Aliás, essa tendência continuou com outros jornalistas.
Para completar o evento politizante e educativo, nos intervalos comerciais, Gustavo Lima com camisa da seleção, o Velho da Havan glorificando a nossa bandeira, o SEBRAE louvando o empreendedorismo. A participação dos profissionais de comunicação e do mercado alcançaram a mais fina sintonia. A festa da democracia. O termo pool foi mais do que justificado.
Em praticamente todas as perguntas, o presidente não respondeu, só mentiu e acusou, incansavelmente. Mas nenhuma intervenção jornalística contribuiu para corrigir os dados ou rebater as acusações. Como se viu até aqui, o lema do jornalismo profissional é a neutralidade.

