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Mais uma vez, contra todos – o debate presidencial

16/10/2022

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Por Maurício Falavigna, no Reconta aí

Algumas máscaras caíram durante a semana, até minutos antes do debate. Juízes que prometeram, “desta vez”, não compactuar com notícias falsas foram tão ou mais omissos que o TSE em 2018. Mais do que isso, vetaram propagandas eleitorais que apresentavam palavras do candidato do governo, vetando discussões comportamentais de séria gravidade para a sociedade brasileira, como pedofilia e exploração sexual infantil.

Pelo seu lado, a mídia assumiu totalmente o lado do Judiciário, amenizando as mesmas questões. Por fim, o atual presidente levou, em seu staff, a figura de Moro para o debate. Lula foi ao debate contra o Golpe, que levou todos os seus exércitos –mídia, Judiciário, Lava Jato e seu próprio capitão, já liberado para continuar mentindo e propagando crimes, como portou-se em toda a sua vida política e privada.

Na primeira pergunta de jornalistas, a bola foi levantada para que, enquanto Lula apresentasse uma fala republicana e constitucional, o capitão mantivesse a farsa de oposição ao Judiciário. Na segunda, foi alegado que a “opinião pública” desejaria saber sobre política econômica: teto de gastos e privatizações. Na verdade, essa é a cobrança dos meios de comunicação e do mercado. Ainda não foi relatado nos anais científicos um debate sobre teto de gastos nos bares, filas de supermercado ou pontos de ônibus. Mas a “opinião pública clama por isso”. Na terceira, a jornalista igualou as mentiras nas duas campanhas, nivelando os dois candidatos. Aliás, essa tendência continuou com outros jornalistas.

Para completar o evento politizante e educativo, nos intervalos comerciais, Gustavo Lima com camisa da seleção, o Velho da Havan glorificando a nossa bandeira, o SEBRAE louvando o empreendedorismo. A participação dos profissionais de comunicação e do mercado alcançaram a mais fina sintonia. A festa da democracia. O termo pool foi mais do que justificado.

Em praticamente todas as perguntas, o presidente não respondeu, só mentiu e acusou, incansavelmente. Mas nenhuma intervenção jornalística contribuiu para corrigir os dados ou rebater as acusações. Como se viu até aqui, o lema do jornalismo profissional é a neutralidade.

Nessas idas e vindas, o militar atacou o STF, a família de Lula, Paulo Freire e Dilma Rousseff, dois ou três inimigos imaginários a cada fala, além de elogiar Paulo Guedes com constância (como quem dizia aos jornalistas, “veja quem está ao lado de seus chefes”). Lula conseguiu falar de números de seu governo e de linhas de um próximo mandato. Mas o tom de acusações e ofensas foi predominante e servirá para que a mídia iguale as candidaturas nos próximos dias.

Controle da mídia. A joia da coroa para o atual presidente. O motivo pelo qual ele sabia que Lula não teria tantos direitos de respostas, suas mentiras ficariam sem contestação, suas ofensas seriam aceitas. Ainda mais que o ministro Alexandre fez com que o tema da pedofilia só pudesse ser tratado marginalmente, e que as pautas morais e “anticomunistas” fossem os temas puxados legitimamente pelo candidato do governo.

No mais, a tática foi acusar Lula de tudo que o presidente faz e é acusado, e assumir todas as benesses do que Lula fez. Isso é um caminho de manual, de Goebbels a Bannon. E ele o seguiu de cabo a rabo.

Assumiu a irracionalidade de um discurso onde somente a mentira pode dar encadeamento lógico e conduzir ao apelo emocional, com palavras fortes e indefiníveis – Liberdade, Cristianismo, Pátria – e expressões já conhecidas do arsenal da Guerra Fria, como liberdade de expressão, direito à propriedade privada e direito à autodefesa.

Lula resistiu bravamente com o seu currículo de governante e líder popular. Contou o que fez e o que voltará a fazer, ante os gritos de ladrão e afirmação de que vivemos no Éden, na anti-Venezuela. Enfim, todo o ambiente contribuiu – e continuará contribuindo – para que continuemos retrocedendo no tempo, vivendo com fome e nas ruas, sem direitos e perspectivas, sem pão e trabalho. Mas, ao menos, venceremos o comunismo e teremos “Liberdade”. Ao final da entrevista, Sérgio Moro, abraçado ao presidente, confirmou que o País está no caminho certo.

Lula continua sozinho. Por nós, contra todos.

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