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Festa pela Copa contrasta com clima de “terror” em atos golpistas pelo país.

22/11/2022

Por Matheus Pichonelli, para o Yahoo notícias.

BRASILIA, BRAZIL - NOVEMBER 15 : A woman holds a flag as supporters of Brazilian President Jair Bolsonaro take part in a demonstration against the results of the runoff election, in front of the Army headquarters in Brasilia, Brazil on November 15, 2022. Many Brazilians convened in front of army headquarters in Rio de Janeiro, Brasilia, and other cities, demanding the military intervene to prevent leftist president-elect Luiz Inacio Lula da Silva taking power next year. (Photo by Mateus Bonomi/Anadolu Agency via Getty Images)
Foto: Mateus Bonomi/Anadolu Agency (via Getty Images)

Nas camadas de festividades que tomam conta do Brasil às vésperas da estreia de sua seleção na Copa, um outro país emerge em suas camadas mais profundas.

Enquanto os olhos da audiência seguem atentos ao que acontece e o que não acontece no Qatar, os atos golpistas que tomaram as estradas brasileiras ao fim das eleições desafiam a segurança nacional.

As manifestações promovidas por bolsonaristas inconformados com a vitória de Lula (PT) estão cada vez mais violentas, com direito a destruição de veículos e bloqueio de estradas. Polícia Rodoviária Federal.

A estratégia lembra a de grupos terroristas, segundo a definição da PRF em Santa Catarina, onde ao menos 30 bloqueios foram registrados. Pregos, pneus queimados, rojões, óleo esparramado e até bombas caseiras foram usadas pelos criminosos.

Em Mato Grosso, foram presos, no início da semana, dois homens suspeitos de atearem fogo em ao menos três carretas que ousaram furar um bloqueio. Um dos detidos é um produtor rural com quem a polícia encontrou armas e R$ 10 mil em dinheiro, além de galões com gasolina e isqueiro.

Ele e um comparsa são suspeitos de SEQUESTRAR um funcionário da Via Brasil BR-163 antes de invadir a rodovia e botar fogo nos veículos.

Pelo visto, o bloqueio das contas de 43 acusados de financiarem os atos antidemocráticos são só a ponta do trabalho em forma de iceberg que Alexandre de Moraes e companhia terão até a posse.

Para surpresa de ninguém, os inimigos da democracia estão por toda parte – e mais perto do que as autoridades imaginam.

Os atos coincidem com o silêncio irresponsável de Jair Bolsonaro (PL) desde sua derrota em 30 de outubro. Ele submergiu e deixou um país inteiro a especular as razões do sumiço. Tristeza? Saúde debilitada? Desmotivação? Ou estaria apenas conspirando?

Segundo a colunista do UOL Thaís Oyama, não tem dia que o (ainda) presidente não telefone para o chefe de seu partido, Valdemar Costa Neto, para pedir que ele tome alguma medida judicial para contestar o resultado das eleições.

O sumiço deixa em compasso de espera parte dos manifestantes que praticamente deixaram a vida de lado à espera de uma palavra do líder das mobilizações. Sem nenhum sinal, muitos assumem o papel de profetas que sobem nos caixotes das vias públicas para anunciar que o fim está próximo e que ele, o mito, está voltando e terá notícias em breve. Mas o anunciado fim do mundo não acontece – para muitos, está sendo apenas adiado, e é melhor esperar.

Não falta quem já tenha apelado até a extraterrestres. Casos como este, registrado em Porto Alegre (RS), provocam gargalhadas e alimentam a fábrica de memes numa esteira industrial chamada Twitter.

Mas é bom não desprezar a periculosidade dos atos.

Principalmente quando a narrativa de que “em breve haverá novidades”, um clássico para manter a militância mobilizada à espera do nada, parte de um ministro do Tribunal de Contas da União.

Em mensagem de voz enviada a amigos, Augusto Nardes disse que “é questão de horas, dias, no máximo, uma semana, duas, talvez menos do que isso” para que aconteça um “desenlace bastante forte na nação, imprevisíveis, imprevisíveis”.

Se ele sabe de alguma coisa, seria bom que viesse a pública explicar – já que esses desenlace pode ser um atentado contra a democracia brasileira. Um crime, portanto.

Apertado, Nardes disse, por meio de uma nota, que “lamenta profundamente a interpretação que foi dada sobre um áudio despretensioso gravado apressadamente e dirigido a um grupo de amigos” e logo em seguida se licenciou do cargo. Deveria ser afastado em definitivo.

Demorou para que gente como ele seja formalmente acusada de alimentar um barril de pólvora que já explode no país em forma de violência.

Na segunda-feira, um padre de 63 anos foi encontrado morto, com um corte profundo no pescoço, em Guaíra, no interior do Paraná. O pároco, José Aparelho Bilha, vinha se queixando de ameaças recebidas em sua cidade por declarar voto em Lula.

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