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Militares não gostam do levantamento de sigilo sobre cloroquina e Pazuello

06/01/2023

Segundo Malu Gaspar, de O Globo, a sinalização do governo Lula de rever o sigilo sobre a compra de cloroquina pelo Exército e o processo disciplinar contra o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello vem preocupando as Forças Armadas, que temem as consequências da divulgação de informações com alto potencial de desgastar não só a imagem do governo Bolsonaro, mas a dos próprios militares.

Na última terça-feira, o novo ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinícius Marques de Carvalho, anunciou que já constituiu um grupo de trabalho para analisar a revisão dos casos de sigilos de 100 anos impostos pelo governo Bolsonaro, uma das principais promessas de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na ocasião, Carvalho acusou o governo Bolsonaro de fazer uso “indiscriminado e indevido” dos sigilos sob o “falso pretexto da segurança nacional”, fragilizando os órgãos de fiscalização para atender a interesses pessoais.

“Não é só o governo Bolsonaro que tem sigilo”, disse à equipe da coluna um ex-ministro da Defesa, temendo o tensionamento das relações entre a caserna e o recém-inaugurado governo Lula.

É a mesma avaliação de um outro general ouvido pela coluna, que considera o levantamento do sigilo envolvendo a compra de cloroquina e o processo disciplinar de Pazuello um “erro” neste momento, em que Lula ainda tenta dissipar o clima de desconfiança entre os militares com o seu retorno ao Planalto.

Além disso, o novo governo ainda é confrontado com dezenas de manifestantes que insistem em protestar na frente de quartéis contra o resultado das eleições, levantando acusações infundadas de fraude.

“Começar um período de governo olhando o Brasil pelo retrovisor, quando há tantos desafios pela frente, é amadorismo ou vingança. Mais adiante, se julgarem necessário, poderiam rever esses temas”, disse esse segundo general.

Ao Supremo Tribunal Federal (STF), o Comando do Exército alegou que a decisão de colocar em sigilo de 100 anos o processo administrativo envolvendo a participação do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello em uma manifestação ao lado do presidente Jair Bolsonaro é um “assunto interno”.

A manifestação do Exército foi enviada ao Supremo após PT, PCdoB, PSOL e PDT entrarem com uma ação no STF para derrubar o sigilo centenário sobre o processo de Pazuello.

Apesar de o regulamento interno da Força vedar a participação de militares em manifestações políticas, Pazuello não foi punido.

“Não existe absolutamente interesse público patente a motivar acesso às informações extraídas de referido processo administrativo disciplinar, o qual regulam unicamente uma relação personalíssima entre um militar e seu comandante, em que se analisa se o subordinado transgrediu ou não uma norma castrense”, alegou o Exército em junho de 2021.

O novo ministro-chefe da CGU já avisou que o novo governo pretende adotar a transparência como “regra” e o sigilo como “exceção”. Conforme mostrou O GLOBO, a decisão do Exército de decretar o sigilo centenário ignora entendimentos já firmados pela CGU, que já definiu que apuração disciplinar encerrada é de acesso público — tanto para militares quanto para civis.

Durante a transição, oficiais das Forças Armadas enviaram a emissários de Lula uma série de conselhos e dicas sobre como o presidente eleito poderia se aproximar dos militares e tentar desconstruir o legado bolsonarista.

Embora a relação seja de desconfiança mútua e até de hostilidade em alguns segmentos, a indicação do ex-presidente do Tribunal de Contas da União (TCU) José Múcio para chefiar o Ministério da Defesa agradou a caserna e deu a Lula algum crédito.

Antes da eleição, o petista já tinha enviado aos militares um sinal de que não mexeria nas regras aprovadas pelo Congresso em 2019 para a aposentadoria dos militares, conforme informou a coluna em outubro.

Outras questões surgiram nas conversas, como a de que os petistas não promovam e nem defendam qualquer alteração no Estatuto dos Militares, em vigor desde 1980.

A mensagem é clara: os militares não querem intromissões do novo governo em assuntos considerados de natureza interna. Pelo visto, os militares e uma ala do governo Lula discordam da extensão do escopo “natureza interna” quando se trata de manter sob sigilo informações de interesse público.

Covas coletivas em Manaus, resultado de uma experiência amarga de tentativa de imunidade de rebanho. Pazuello, Bolsonaro, o Governador do Amazonas e Mayra Pinheiro, a Capitão Cloroquina, defensora do tratamento precoce são os responsáveis pelos homicídios “de Estado”.

Mayra Pinheiro

Se existe um crime inominável que Pazzuelo e Bolsonaro devem responder é a gestão da segunda onda de Covid em Manaus. Principalmente da falta de oxigênio nas UTIs, na falta de leitos hospitalares (até 4 pacientes utilizavam um único aparelho de insuflar oxigênio).

Até o ditador da Venezuela, Maduro, conseguiu mandar caminhões carregados com oxigênio para Manaus, mas Bolsonaro e Pazuelo não conseguiram. Centenas de pacientes morreram sufocados como nas câmaras de gás de Hitler, nos campos de concentração do nazismo.

O Amazonas foi atingido duramente por uma segunda onda de covid-19 em janeiro de 2021 devido às flexibilizações das medidas restritivas no final do ano anterior e ao aparecimento de uma nova cepa mais transmissível do vírus no estado, batizada de P.1, que logo se espalhou por todo o país.

Depois de um pico em janeiro, os casos começaram a cair até o final de março, tendo ainda uma recidiva em abril. 

 

One Comment leave one →
  1. Lobo permalink
    06/01/2023 20:33

    Que bando de cara de pau. Liberdade para fazer coisa errada e não pagar. Não são esses mesmos que enchem a boca para chamarem os outros de ladrões e falarem de honestidade?

    Se não devem, não precisam ter medo ou raivinha de colocar3m tudo às claras, não é mesmo?

    Quando é que essa milicada vai aprender que não estamos mais nos anos 60-70 do século passado?

    O Brasil desperdiça muito dinheiro com essa gente que não nos protegem de fato contra as ameaças externas, vide a peneira que são nossas fronteiras, o espaço aéreo e o mar territorial, mas que adoram posar de guardiões da moral.

    General da ativa em cima de carro de som fazendo comício é o fim da picada. Deveriam ser os primeiros a punirem essa aberração que certamente é motivo de chacota dos militares de primeira linha no mundo.

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