“Não é o Estado que fiscaliza a imprensa, é a imprensa que fiscaliza o Estado”. Carlos Ayres Britto
EUA anunciam envio de bombas de fragmentação à Ucrânia. Rússia reage.
O Governo Biden anunciou a entrega de munições cluster à Ucrânia indo contra aliados fortes da OTAN. Segundo subsecretário americano, o envio acontece pela “urgência do momento”, uma vez que a contraofensiva ucraniana “está indo mais devagar do que o esperado”. A Rússia classificou a decisão como “novo passo na escalada” do conflito.
Os Estados Unidos divulgaram nesta sexta-feira (7) um novo pacote de assistência militar para a Ucrânia, o qual inclui munições cluster, também conhecidas como bombas de fragmentação, anunciou o Departamento de Defesa.
“Hoje [7], o Departamento de Defesa anuncia assistência de segurança adicional para atender às necessidades críticas de segurança e defesa da Ucrânia. Este pacote fornecerá à Ucrânia sistemas de artilharia e munições adicionais, incluindo munições de fragmentação, sobre as quais o governo realizou extensas consultas com o Congresso e nossos aliados e parceiros”, disse o comunicado do departamento.
O novo pacote de armas terá sistemas de defesa aérea Patriot, mísseis AIM-7 para defesa aérea e sistemas antiaéreos Stinger, 32 veículos de combate de infantaria Bradley e 32 veículos blindados de transporte de pessoal Stryker, informou o Pentágono.
A ajuda, no valor de US$ 800 milhões (R$ 3,8 bilhões) é o 42º aprovado pelos Estados Unidos para a Ucrânia desde o começo da operação russa, totalizando mais de US$ 40 bilhões (R$ 194 bilhões) em ajuda militar.
O conselheiro de Segurança Nacional, Jake Sullivan, disse que os EUA reconhecem “que as munições cluster criam um risco de dano civil devido a munições não detonada. É por isso que adiamos a decisão o máximo que pudemos”.
“É uma decisão difícil […] houve uma recomendação unânime da equipe de segurança nacional, e o presidente Biden finalmente decidiu, em consulta com aliados e parceiros e com membros do Congresso, avançar nesta etapa”, afirmou.
Ainda segundo Sullivan “a Ucrânia forneceu garantias por escrito de que vai usá-las de maneira muito cuidadosa para minimizar os riscos aos civis, incluindo que não usarão em áreas urbanas com civis e que registrarão exatamente onde usarão essas munições”.
Kiev pediu munições cluster para disparar contra posições russas com tropas entrincheiradas. No passado, a Ucrânia instou os membros do Congresso dos EUA a pressionarem o governo Biden para aprovar o envio deles.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, é contra o uso contínuo de munições cluster, disse um porta-voz da ONU hoje (7) quando questionado sobre o anúncio dos EUA. A Alemanha também se posicionou e disse ser contra o envio.
As munições cluster são proibidas em mais de 100 países. Eles normalmente liberam um grande número de pequenas bombas que podem matar indiscriminadamente em uma área ampla e aquelas que não explodem representam um perigo por décadas após o término do conflito.
Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril
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