A vítima e a esposa que faleceu hoje.
Por Carlos Madeiro, Colunista do UOL
A médica Daniele Rabelo, 47, foi encontrada morta na tarde de hoje na cela onde estava detida do Presídio Feminino de Nossa Senhora do Socorro (SE). A morte ocorreu pouco depois que ela voltou ao presídio para cumprir mandado de prisão, após ter sido internada em uma clínica de repouso em Aracaju, em 1º de setembro.
Daniele é acusada de mandar matar o marido, o advogado José Lael de Souza Rodrigues Junior, 42. O crime aconteceu em outubro do ano passado na capital sergipana. Ela foi presa em dezembro do ano passado. Desde maio, cumpria prisão domiciliar por ordem do STF. A decisão foi revogada na última semana e ela deveria voltar ao sistema prisional, mas alegou problemas de saúde.
No fim da manhã de hoje, ela passou por uma audiência de custódia. Ficou decidido que seria acompanhada por um médico para tratar seu Transtorno de Personalidade Borderline no presídio, e não na clínica.
Por volta das 16h20, seu advogado foi atendê-la e encontrou Daniele desacordada na cela. A equipe de saúde foi acionada, realizou os primeiros atendimentos e acionou o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), que confirmou a morte no local, segundo a Secretaria de Estado da Justiça e de Defesa do Consumidor.
A direção do presidio instaurou procedimento administrativo para apurar o caso. A Polícia Civil abrirá investigação.
José Lael era advogado criminalista e foi morto por dois homens, que o abordaram, desceram de uma motocicleta e dispararam contra o carro da vítima. O crime aconteceu no dia 18 de outubro de 2024 na avenida Jorge Amado, no bairro Jardins, zona sul de Aracaju.
O filho dele, Guilherme Rodrigues, 20, que também estava no carro, foi atingido, mas foi socorrido e sobreviveu.
Daniele era uma cirurgiã plástica muito famosa no estado, com 145 mil seguidores apenas no Instagram, onde compartilhava parte de sua rotina de trabalho e momentos com a família. Além de Sergipe, ela também tem registros para atuação nos estados da Bahia e do Rio de Janeiro.
Ela virou suspeita após a polícia ouvir depoimentos e receber imagens de câmeras de segurança. Os vídeos mostraram um carro na porta do prédio onde Lael morava poucos instantes antes de ele sair de casa pela última vez.
O carro acompanhou as vítimas até uma lanchonete, e depois orientou os dois homens em uma moto que matariam Lael em seguida.
A chegada do carro deu um indício novo e importante: alguém teria informado o momento exato que ele saiu de casa. “Fomos investigar e vimos que só a esposa estava em casa”, explicou a delegada Juliana Alcoforado, diretora do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa).
