Investigação sobre queda do B787 da Air India recai sobre pilotos

Como sempre disse um amigo piloto, em breve não teremos mais pilotos nas cabines dos grandes jatos comerciais. Só um comissário de bordo vai entrar na cabine, para levar água e ração ao cachorro. Que lá estará para não deixar nenhum humano mexer nos controles.

A investigação do acidente com o Boeing 787 da Air India, ocorrido em 12 de junho de 2025 em Ahmedabad e que resultou na morte de 260 pessoas, entrou em fase crítica.

Segundo fontes próximas ao processo citadas pela Bloomberg, os investigadores tendem a considerar uma ação deliberada na cabine como a principal linha de investigação, após descartar falhas mecânicas e atos de sabotagem.

Esse desdobramento é delicado e complexo, envolvendo aspectos técnicos, humanos e políticos que ainda estão longe de serem concluídos.

Os especialistas descartaram falhas técnicas na aeronave e não encontraram indícios de interferência externa. Essa conclusão está alinhada com avaliações iniciais das autoridades dos Estados Unidos, que também apontaram que o acidente não se relacionou a problemas técnicos do Boeing 787.

Com essas causas eliminadas, a hipótese de ação voluntária dos pilotos passou a ganhar força. A aeronave caiu poucos minutos após a decolagem, na rota entre Ahmedabad e Londres, com apenas um sobrevivente.

Um relatório preliminar do Aircraft Accident Investigation Bureau (AAIB), parte do procedimento padrão, revelou que os interruptores de corte de combustível foram movidos da posição “run” para “cutoff”, interrompendo o abastecimento dos motores e provocando a queda rápida da aeronave.

Um trecho do gravador de voz da cabine (CVR) registrado mostra um diálogo em que um piloto questiona o outro sobre o motivo de ter cortado o combustível, e a resposta negativa do colega. Essa troca reforça a tese de que a causa não foi falha automática, embora ainda não permita atribuir responsabilidades individuais.

O comandante do voo era o piloto Sumeet Sabharwal, de 56 anos, com mais de 15.600 horas de voo. O primeiro oficial era Clive Kunder, com 3.403 horas de experiência.

Informações vazadas anteriormente sugeriam que o comandante poderia ter acionado os controles de combustível, gerando forte resistência das famílias dos pilotos e sindicatos, que alegam que a tripulação estaria sendo usada como bode expiatório para desviar a atenção de possíveis responsabilidades do fabricante.

A tensão chegou ao Judiciário, com o pai de 91 anos do comandante Sabharwal solicitando à Suprema Corte da Índia uma investigação independente.

Embora a hipótese de ação deliberada do piloto seja a mais robusta, a investigação segue aberta, sem relatório final ou conclusões oficiais que confirmem se o ato foi intencional, erro humano extremo ou uma sequência de eventos ainda não compreendida.

A possibilidade de suicídio foi mencionada no debate público, mas não confirmada pelo AAIB, sendo um tema sensível para a indústria e para as famílias envolvidas.

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Autor: jornaloexpresso

Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril

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