Flávio Bolsonaro: esqueletos no armário.
Segundo Octávio Guedes, “há forte tensão para saber se uma provável delação de Vorcaro envolverá o PL do Rio”, estado pelo qual o pré-canditado ao Planalto é senador.
A trégua nos bastidores da política fluminense acabou. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enfrenta um dos momentos mais delicados de sua carreira, não por uma ameaça externa, mas pelos “esqueletos” escancarados dentro de seu próprio partido e do governo que ajudou a sustentar.
Com a proximidade das eleições estaduais, a sombra de escândalos de corrupção e a fragilidade numérica de seu candidato oficial, o senador já acionou um plano B.
A informação é do jornalista Octavio Guedes, no G1, e revela que, por trás do apoio declarado a Douglas Ruas (PL), Flávio articula nos bastidores a candidatura de André Marinho, filho de seu suplente no Senado, Paulo Marinho, que concorrerá pelo Partido Novo.
O peso das pesquisas e a inércia da máquina
O principal motivador para a movimentação de Flávio Bolsonaro é a rejeição do eleitorado. Pesquisa Genial/Quaest divulgada na segunda-feira (27/abr) mostra um cenário desolador para o bolsonarismo no estado.
Eduardo Paes (PSD) lidera a corrida ao Palácio Guanabara com folga, variando de 34% a 40% das intenções de voto nos cenários simulados.
A esteira da crise, Douglas Ruas patina entre 9% e 11%, um resultado pífio para quem controla a presidência da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e era visto como herdeiro natural da máquina.
A reportagem do G1 destaca que, “sem a máquina e dinheiro público para garantir apoio de prefeitos, Douglas Ruas terá dificuldades de decolar”.
A percepção interna é a de que, com 71% dos eleitores ainda não o conhecendo, segundo o mesmo levantamento, o candidato oficial é um peso morto.
O “plano B” na Zona Sul
Diante do iminente naufrágio, Flávio Bolsonaro costurou nos bastidores para que André Marinho conseguisse uma legenda no Novo.
A estratégia inicial, ventilada nos bastidores, seria a de que Marinho atuasse como “sanguessuga”, tirando votos de Paes na Zona Sul do Rio para forçar um segundo turno entre Ruas e o petista.
No entanto, a queda de braço interna mostra que André Marinho é mais que um peão. Ele é o “seguro que Flávio está contratando”.
A aposta é que, se a candidatura de Ruas implodir de vez (como mostram os 1% de intenção de voto de Marinho na pesquisa ), o senador tenha um nome limpo, sem envolvimento com as crises que se avizinham, para herdar seu capital político.
Do UrbsMagna
Thomas Traumann, diz em O Globo:
“As brigas públicas entre os irmãos Eduardo e Carlos Bolsonaro com Nikolas Ferreira e outros líderes da direita são um sintoma do otimismo da oposição. Certos de que estão perto da vitória, os irmãos Bolsonaro não estão tentando apenas enquadrar os correligionários, mas sim disputar espaço num eventual governo e até na eleição de 2030. Os irmãos escolheram Nikolas como alvo porque não podem atingir quem realmente temem, a madrasta Michelle e o governador Tarcísio de Freitas. A dúvida hoje é se os irmãos estão apenas reproduzindo o que Flávio pensa, mas que, por estratégia eleitoral, não pode falar.”
