
O jornalista Raimundo Rodrigues Pereira, uma das principais referências da imprensa brasileira na luta pela democracia, faleceu neste sábado (2), aos 85 anos. Ele faleceu no Rio de Janeiro, onde morava com as filhas. A causa da morte não foi divulgada.
Nascido em Exu, no Sertão de Pernambuco, Raimundo construiu uma trajetória marcada pelo enfrentamento ao autoritarismo e pela defesa intransigente da liberdade de expressão. Mais do que relatar os acontecimentos do país, ele esteve diretamente envolvido nos momentos mais críticos da história recente do Brasil.
Em 1975, ele fundou o jornal Movimento, considerado um dos principais veículos da chamada imprensa alternativa durante a ditadura militar. O periódico, mantido por um coletivo de jornalistas e intelectuais, se destacou por enfrentar a censura imposta pelo regime e dar voz a posições críticas ao governo.

Antes disso, Raimundo já havia acumulado experiências importantes no jornalismo. Trabalhou como editor na Folha da Tarde e integrou, a convite de Mino Carta, a equipe que fundou a revista Veja, em 1968.
Durante o regime, Raimundo chegou a ser preso, experiência que reforçou seu compromisso com a democracia e a liberdade de imprensa.
Em nota, a Associação Brasileira de Imprensa destacou a importância do jornalista. “Raimundo foi um guerreiro que nunca abriu mão de seus princípios, mesmo nos momentos mais sombrios do país”, afirmou a entidade.
