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As maiores secas da história do Nordeste foram a de 1877-1879, que causou a morte de até 500 mil pessoas, e a de 1915, marcada pela criação de campos de concentração no Ceará. Outras estiagens históricas severas ocorreram nos períodos de 1932, 1958 e a prolongada seca de 2012 a 2017.
O fenômeno El Niño, de aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico, deve começar entre os meses de maio e julho, se consolidando com mais força – 80% de probabilidade – na segunda metade do ano. Essa a conclusão do Centro de Previsão Climática norte-americano.

A intensidade do fenômeno ainda apresenta margens de incerteza, mas 60% dos modelos climáticos apontam uma variação de até 1.5°C, considerado entre moderado a forte. A probabilidade de um El Niño “muito forte” é 25%, com variação de temperatura acima de 2°C. A previsão sobre a intensidade do fenômeno é importante, porque aumenta a probabilidade de eventos extremos.
De acordo com o Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais, na região Sul do Brasil, há risco elevado de chuvas acima da média, o que pode resultar em deslizamentos de terra em áreas como o Vale do Itajaí e as regiões metropolitanas de Curitiba e Porto Alegre.
Nas regiões Norte e Nordeste, a tendência é de menos chuva, o atraso das cheias na floresta Amazônica e a gestão de barragens no interior nordestino. No Centro-Oeste e Sudeste, a previsão é aumentar as ondas de calor e diminuir a umidade relativa do ar.
O fenômeno El Niño deve começar quando o Brasil já estiver em período de maior seca. De acordo com o Cemaden, o número de municípios em situação de estiagem severa aumentou de 70 para 248, em março.
- 1877-1879 (A Grande Seca): Considerada o fenômeno mais devastador da história imperial brasileira. Devastou o Ceará e dizimou entre 400 mil e 500 mil pessoas, gerando um fluxo migratório massivo.
- 1915: Outra grande seca extrema que inspirou o clássico da literatura “O Quinze”, de Rachel de Queiroz. O governo cearense chegou a criar “campos de concentração” para conter retirantes.
- 1932: Devastou a região e motivou a criação do Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas (IFOCS), antecessora do atual Dnocs.
- 1958: Conhecida pela intensidade e por gerar forte comoção nacional, acelerando o desenvolvimento de políticas hídricas e da SUDENE.
- 2012-2017: Considerada por muitos especialistas a pior seca do século, afetando severamente a agropecuária e o abastecimento de múltiplos estados nordestinos por quase seis anos seguidos.
