Não perdoa nada:  Ciro Nogueira recebeu R$ 14 milhões de fundo ligado à Refit, diz PF.

Bolsonaristas já esperam respingos também da Operação Sem Refino no seu candidato.

A Polícia Federal (PF) identificou um repasse de R$ 14,2 milhões de um fundo ligado ao grupo Refit para uma empresa da família do presidente do Progressistas (PP), senador Ciro Nogueira (PP-PI).

Segundo o jornal O Estado de São Paulo, a informação integra as investigações da Operação Sem Refino, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

O pagamento foi detectado durante a análise de movimentações financeiras envolvendo empresas e fundos associados ao conglomerado controlado pelo empresário Ricardo Magro. Procurado pela reportagem, Ciro Nogueira confirmou a transação e afirmou que o valor corresponde à venda regular de um terreno destinado à construção de uma distribuidora de combustíveis em Teresina.

PF aprofunda investigação sobre grupo Refit

A Operação Sem Refino teve como alvo o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) e também resultou em mandado de prisão contra Ricardo Magro, que está fora do Brasil e é considerado foragido da Justiça brasileira. O nome do empresário foi incluído na lista de procurados da Interpol.

O grupo Refit é apontado pela Receita Federal como o maior devedor contumaz de tributos do país, acumulando dívidas superiores a R$ 26 bilhões. As investigações envolvem suspeitas de fraude, sonegação de ICMS e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis.

A Polícia Federal identificou que o pagamento à empresa da família de Ciro Nogueira partiu do fundo Athena, apontado como uma das estruturas financeiras ligadas ao conglomerado da Refit.

Segundo os investigadores, o fundo recebe pagamentos de empresas do grupo e possui imóveis considerados suspeitos de serem utilizados nas operações do conglomerado. A PF também afirma que as conexões financeiras do fundo alcançam uma holding no exterior ligada ao grupo empresarial.

O relatório da PF também aponta que a contabilidade analisada não detalha a motivação da transferência milionária nem apresenta informações adicionais sobre a negociação, questão que deverá ser aprofundada nas próximas etapas da investigação.

Embora o senador não apareça atualmente entre os sócios da empresa, familiares dele permanecem como proprietários. Segundo Ciro Nogueira, sua participação societária no período da negociação era inferior a 1%.

Ex-assessor também foi alvo da operação

A mesma investigação identificou ainda repasses de R$ 1,3 milhão de uma empresa ligada à Refit para Jonathas Assunção Salvador Nery de Castro, ex-secretário-executivo da Casa Civil durante a gestão de Ciro Nogueira no governo Jair Bolsonaro. Jonathas foi alvo de mandado de busca e apreensão durante a operação.

“Os valores creditados foram rapidamente transferidos diretamente ao próprio beneficiário final JONATHAS ASSUNÇÃO SALVADOR NERY DE CASTRO, cerca de R$ 1.325.000,00. Tal padrão evidencia baixa permanência dos recursos na conta, típico de empresa de passagem, sem identificação de despesas operacionais compatíveis com a atividade declarada de consultoria”, destaca um trecho do relatório da PF.

O documento também destacou a relação do ex-assessor com o então ministro da Casa Civil. “Cabe destacar que JONATHAS ASSUNÇÃO ocupou o cargo de Secretário-Executivo da Casa Civil da Presidência da República, função na qual atuava como principal auxiliar do então Ministro da Casa Civil, o atual Senador CIRO NOGUEIRA, a quem estava diretamente subordinado”, ressalta o relatório.

Ciro Nogueira nega irregularidades

Em nota divulgada à imprensa, Ciro Nogueira negou qualquer irregularidade e afirmou que a negociação ocorreu dentro da legalidade. “O senador Ciro Nogueira lamenta as recorrentes tentativas de associá-lo a escândalos, as quais serão inevitavelmente frustradas, uma vez que não praticou nenhum ato irregular ou ilegal.”

Bloqueio de aeronave

A operação da Polícia Federal (PF) que apura as ligações do senador Ciro Nogueira (PP-PI) com o caso Master resultou no bloqueio de uma aeronave avaliada em R$ 10 milhões, que permanece registrada em nome do parlamentar. Segundo o SBT News, a medida foi determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça no início de maio, mas não constava publicamente na decisão judicial nem nas informações divulgadas pela corporação.

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Autor: jornaloexpresso

Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril

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