Operação “Sintonia de Gravata”, deflagrada pelo MPBA e forças de segurança, investiga profissionais que intermediavam ordens de líderes presos para as ruas; Justiça bloqueou R$ 10 milhões em bens.
Do Caso de Política | Luís Carlos Nunes
O Ministério Público da Bahia (MPBA), em conjunto com as polícias Civil e Militar e as secretarias de Segurança Pública (SSP) e de Administração Penitenciária (Seap), deflagrou na manhã desta sexta-feira (3) a Operação “Sintonia de Gravata”.
A ofensiva cumpre 22 mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão, atingindo diretamente os municípios de Barreiras, Salvador, Serrinha, Feira de Santana, Camaçari e Lauro de Freitas.

O foco da investigação é desarticular a comunicação clandestina entre líderes de facções criminosas custodiados em presídios de segurança máxima e integrantes que atuam nas ruas. Segundo o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas), o esquema contava com a participação de advogados que, abusando das prerrogativas da profissão, burlavam o isolamento dos detentos para transmitir ordens relativas ao tráfico de drogas e à comercialização de armas.
Para asfixiar o braço financeiro das organizações, a 1ª Vara Criminal da Comarca de Eunápolis determinou a indisponibilidade de ativos financeiros dos investigados no valor de até R$ 10 milhões. A decisão judicial também autorizou o sequestro de bens de luxo, incluindo aeronaves, embarcações, veículos e imóveis.
Durante as diligências em Barreiras e nas demais cidades, as equipes apreenderam notebooks, celulares e documentos que devem auxiliar na identificação de outros colaboradores da rede.
As apurações apontam que esses advogados exerciam papel estratégico, funcionando como um “núcleo externo” para a consolidação de decisões e resolução de conflitos internos das facções. Esse fluxo permitia que criminosos isolados continuassem gerindo a movimentação financeira e a logística das atividades ilícitas.
A operação mobilizou mais de 100 profissionais e faz parte de um esforço nacional coordenado pelo Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (Gncoc) para enfraquecer a articulação das facções em todo o país. O material recolhido passará por perícia para mapear novos fluxos de lavagem de dinheiro e ramificações regionais do grupo investigado.

