
Operação do Gaeco decreta 18 prisões e bloqueia R$ 10 milhões ligados a esquema de lavagem para o Primeiro Comando da Capital.
A investigação conduzida nesta terça-feira (21) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) — desdobramento das operações Recidere e Bazaar — joga luz sobre uma teia de relações entre investigados por crimes financeiros e oficiais de alta patente da Polícia Militar do estado de São Paulo.
O Ministério Público de São Paulo (MPSP), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou nesta terça-feira (21/jul) uma operação contra uma estrutura financeira que funcionava como “banco paralelo” para lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC), com 18 prisões preventivas e bloqueio de até R$ 10 milhões em bens.
Como funcionava o esquema
Segundo o Gaeco, conforme noticiou a TV Globo e o g1, os investigados recebiam grandes quantias em dinheiro vivo de integrantes da facção e devolviam esses valores ao sistema financeiro por meio de transferências eletrônicas feitas por empresas de fachada, criadas justamente para dar aparência de legalidade aos recursos de origem ilícita.
A Justiça expediu, ao todo, 18 mandados de prisão preventiva e 25 de busca e apreensão contra os responsáveis por movimentar e ocultar o dinheiro da organização.
Segundo o Gaeco, a estrutura financeira não servia apenas para lavar dinheiro: também era acionada em negociações particulares de interesse da facção, incluindo uma disputa envolvendo imóveis de alto padrão na Riviera de São Lourenço, no litoral paulista.
A origem: uma economia paralela construída desde os anos 2000
Esquemas como este não surgem isolados. O PCC desenvolveu, ao longo de mais de duas décadas, uma estrutura financeira descentralizada, organizada em células conectadas a um núcleo central, sob a liderança de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola.
Foi esse mesmo período que viu nascer, dentro da facção, o chamado “tribunal do crime” — um sistema de julgamentos paralelos, criado no início dos anos 2000, que aplica punições, incluindo a pena de morte, a quem descumpre as regras internas da organização ou desafia seus interesses, segundo reportagens anteriores sobre o funcionamento dessa “justiça” clandestina.
O que essas operações revelam, em conjunto, é uma mudança de estratégia: mirar não apenas o tráfico de drogas, mas o sistema bancário informal que sustenta o poder econômico da organização — e que, sem ser desmontado, permite à facção sobreviver a prisões e mortes de lideranças isoladas.
Para conter o esquema, a Justiça determinou o bloqueio de até R$ 10 milhões em contas bancárias, empresas e bens vinculados aos investigados.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo ainda não divulgou balanço oficial com os nomes completos de todos os presos na operação desta terça-feira.
Editado pelo portal UrbsMagna
