Ciência e inteligência de mercado na programação do Dia do Algodão 2026
Enquanto a colheita do algodão avança na Bahia e já supera os 96 mil hectares, pouco mais de 23% da área cultivada na safra 2025/2026, o setor volta parte da atenção ao planejamento do próximo ciclo.
É nesse contexto que a Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) realiza, nos dias 31 de julho e 1º de agosto, o Dia do Algodão, encontro que reunirá pesquisadores, consultores e especialistas para apresentar estudos e análises capazes de orientar as decisões que serão tomadas nas propriedades rurais nos próximos meses.
A edição deste ano será realizada em dois dias. Na sexta-feira, a programação será aberta para os associados da Abapa, autoridades e convidados, com uma agenda voltada às pautas estratégicas da cotonicultura. Já no sábado pela manhã, o Centro de Treinamento da entidade abrirá as portas para produtores, consultores, estudantes e demais profissionais do agro em uma programação técnica que transforma resultados de pesquisa em informação para a tomada de decisão no campo.
“Estamos entrando em um período decisivo, em que o produtor avalia os resultados da safra atual e começa a definir as estratégias para o próximo ciclo. Há cinco edições, o Dia do Algodão aproxima a pesquisa da realidade das propriedades, reunindo informações sobre cultivares, manejo do bicudo, clima, custos e mercado. São conhecimentos que ajudam a reduzir incertezas, antecipar riscos e dar mais segurança às decisões que serão tomadas nos próximos meses”, explica a presidente da Abapa, Alessandra Zanotto Costa. “O Dia do Algodão é um espaço de encontros, que coloca todos os elos da cadeia em contato, em um só tempo e lugar, para pensar o setor”, concluiu.
Programação
No sábado, as atividades têm início às 7h e serão distribuídas em três estações temáticas, permitindo que os participantes circulem pelos diferentes espaços e acompanhem discussões sobre os principais desafios da cotonicultura. A programação reúne pesquisas desenvolvidas no Oeste da Bahia e análises de mercado voltadas ao planejamento da próxima safra.
A primeira estação será dedicada ao comportamento das cultivares de algodoeiro no Cerrado baiano. Os pesquisadores da Fundação Bahia Murilo Barros Pedrosa, doutor em Agronomia, e Eleusio Curvelo Freire, doutor em Genética e Melhoramento de Plantas, apresentarão os resultados das avaliações realizadas na safra 2025/2026. Os trabalhos analisam o desempenho de novas cultivares quanto à produtividade, resistência a pragas e qualidade da fibra, fornecendo informações que auxiliam o produtor na escolha dos materiais mais adequados às condições da região.
Já o pesquisador em Entomologia da Fundação Bahia, Allef Souza, compartilhará os resultados do monitoramento da dinâmica populacional do bicudo-do-algodoeiro no Oeste baiano, da safra à entressafra, na segunda estação. O levantamento permite compreender como a praga se desloca e se mantém entre os ciclos de cultivo, oferecendo subsídios para estratégias de manejo mais eficientes.
A terceira estação terá como foco a gestão da atividade. O economista Renato Garcia Ribeiro, pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), discutirá os custos de produção do algodão diante de um cenário de maior pressão sobre as margens da atividade. Entre os temas abordados estarão o impacto dos insumos dolarizados, a gestão de riscos e alternativas para ampliar a eficiência operacional nas propriedades.
O encerramento será marcado por uma mesa-redonda sobre o manejo estratégico do algodoeiro sob os efeitos do El Niño. O debate reunirá o meteorologista e doutor em Geografia, Ricardo Reis, CEO da AeQuilibrium; o pesquisador da Embrapa Algodão e doutor em Fitopatologia Fabiano Perina; e o pesquisador da Fundação Bahia e doutor em Fitotecnia Ricardo de Andrade, que discutirão como clima, doenças e fisiologia da planta influenciam o desempenho das lavouras e o planejamento da próxima safra.

