Guerra no Oriente Médio toma corpo: Guarda iraniana anuncia destruição e mortes na Jordânia.

Ataque do Irã à Jordânia mata dois militares dos EUA e deixa um desaparecido

O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI) do Irã reivindicou nesta quinta-feira (30/jul) o lançamento de mísseis balísticos contra a base aérea de Al-Azraq (também conhecida como Muwaffaq Salti) na Jordânia, alegando a destruição total de três caças F-35 dos Estados Unidos, danos graves a outros três e a morte de vários oficiais e pessoal técnico.

A ação, segundo Teerã, responde a um ataque aéreo americano na ilha de Qeshm que matou uma família completa.

O episódio intensifica o risco de alargamento do conflito regional e coloca a soberania de países anfitriões de tropas estrangeiras no centro do debate geopolítico.

De acordo com o comunicado do CGRI divulgado por veículos oficiais iranianos, a Força Aeroespacial do CGRI atingiu a rampa de estacionamento e o hangar de manutenção dos F-35 americanos na base.

A mesma nota afirma que “vários oficiais e pessoal técnico e de manutenção foram mortos”.

A justificativa apresentada é a resposta a um bombardeio dos Estados Unidos realizado a partir de bases no território jordano contra residências no bairro Chah Tangu, em Qeshm, onde morreram pai, mãe e um filho, com dois outros filhos feridos.

O padrão se repete desde o colapso do acordo provisório de junho: o Irã trata qualquer instalação utilizada por forças americanas para ataques contra seu território como alvo legítimo.

Em nota paralela, o CGRI advertiu nações que “abrigam ou colaboram com as forças americanas” de respostas contundentes e reiterou que o Estreito de Ormuz permanecerá sob controle iraniano enquanto os ataques ordenados pela administração de Donald Trump continuarem.

As Forças Armadas da Jordânia informaram, por meio de nota oficial, que seus sistemas de defesa aérea interceptaram e abateram cinco mísseis lançados do Irã na madrugada desta quinta-feira (30/jul).

Segundo o comunicado reproduzido por Jordan Times, não houve baixas humanas nem danos materiais.

A Jordânia tem interceptado dezenas de mísseis e drones desde 8 de julho, quando a trégua desmoronou. O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) ainda não se pronunciou especificamente sobre as alegações de destruição de aeronaves nesta quinta-feira (30/jul).

Em episódios anteriores, como o de 28 de julho, o Centcom afirmou ter interceptado todos os mísseis de um “ataque surpresa” iraniano.

Em 17 de julho, um ataque à mesma base de Muwaffaq Salti matou pelo menos dois militares americanos e deixou outros feridos, conforme confirmado pelo próprio Centcom.

A presença de cerca de quatro mil militares americanos em instalações jordanianas – formalizada por acordo de defesa de 2021 – transforma o reino hachemita em linha de frente involuntária.

O ministro das Relações Exteriores da Jordânia, Ayman Safadi, já rejeitou a existência de “bases americanas” propriamente ditas, preferindo falar em cooperação militar de longa data.

Essa nuance diplomática se torna cada vez mais difícil de sustentar diante da frequência dos ataques.

O conflito mais amplo remonta a 28 de fevereiro de 2026, quando Estados Unidos e Israel iniciaram ataques contra o Irã.

Desde então, houve cessar-fogo temporário em junho, retomada das hostilidades em julho e sucessivas ondas de mísseis e drones iraniano contra instalações em Bahrein, Kuwait e Jordânia.

O CGRI batizou parte dessas operações de “Nasr 2”.

A cada resposta iraniana, Washington anuncia novas ondas de bombardeios contra centros de comando, instalações de mísseis e capacidade marítima no sul do Irã.

A escalada também afeta o comércio global. O Estreito de Ormuz, por onde passa parcela relevante do petróleo mundial, continua sob tensão, com o Irã ameaçando bloquear o tráfego livre enquanto as sanções e os ataques persistirem.

Novas medidas coercitivas do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos contra entidades e petroleiros foram anunciadas nas últimas horas.

A narrativa de “resposta proporcional” de ambos os lados mascara o impacto sobre populações civis e sobre a soberania de países intermediários.

A Jordânia convocou o encarregado de negócios iraniano e condenou a violação de seu espaço aéreo, enquanto Teerã agradece publicamente “o apoio sincero” de setores da sociedade jordana.

O resultado é um ciclo que coloca a democracia e a justiça internacional sob pressão: decisões militares tomadas em Washington e Teerã produzem efeitos diretos sobre Amã, sem que a população jordaniana tenha voz efetiva no processo.

Nas últimas horas, o Centcom anunciou nova onda de ataques contra alvos do CGRI no sul do Irã. Detalhes completos serão publicados em breve assim que fontes oficiais confirmarem a extensão.

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Autor: jornaloexpresso

Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril

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