Trump: preparando e apoiando golpes na América do Sul.
Disputa sobre indicação de embaixador, vistos cancelados e sanções à espreita levam Lula a cogitar telefonema a Trump
Do portal Urbs Magna
Diplomatas brasileiros alertam que o governo de Donald Trump pode intensificar a pressão política sobre o Brasil, em meio a uma disputa que envolve a indicação de um novo embaixador americano, a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington e a articulação, nos bastidores, pela volta de sanções contra um ministro do STF.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já sinaliza que vai telefonar diretamente a Trump para tentar conter a escalada.
O estopim: uma indicação sem consulta prévia
A escolha ocorreu fora do protocolo habitual, sem consulta ao governo brasileiro, e reflete um padrão identificado pelo cientista político Guilherme Casarões, da Florida International University:
Trump vem usando embaixadas como recompensa por lealdade ideológica, e não por experiência diplomática, segundo apurou a Agência Pública.
Até agora, o Brasil não concedeu o agrément — o aval formal exigido pela Convenção de Viena para que um país receba um embaixador estrangeiro.
Nesta sexta-feira (07/ago), o Senado americano chegou a adiar a votação do pacote de indicações após um impasse interno.
A retaliação: visto cancelado e vistos negados
A resposta de Washington à demora veio na forma de pressão direta: o Departamento de Estado revogou o status de múltiplas entradas do visto da embaixadora brasileira nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti, medida que o próprio governo americano admitiu ser uma tentativa de forçar a aceitação do indicado, conforme relatou o Brasil de Fato.
Do lado brasileiro, o Itamaraty também negou vistos a dois funcionários do Departamento de Estado — os diplomatas Riley M. Barnes e Samuel Samson — que pretendiam visitar o TSE durante o recesso, pedido que havia sido recusado formalmente.
Mesmo assim, os dois mantiveram a viagem planejada, o que reforçou a desconfiança do governo brasileiro sobre as reais intenções da missão.
Segundo reportagem do Washington Post, citada por Lula em entrevista recente, o objetivo da viagem seria lançar dúvidas sobre a integridade do processo eleitoral brasileiro.
A resposta de Lula: telefonemas a Xi, Putin e, agora, Trump
Embora o foco declarado da ligação seja a articulação de uma reunião do Conselho de Segurança da ONU, integrantes do Palácio do Planalto admitem que os atritos bilaterais podem entrar na conversa.
Lula classificou publicamente a revogação do visto de Viotti como “irresponsável” e “impensada”, e lembrou que o próprio governo Trump está há mais de um ano sem um embaixador em exercício no Brasil — argumento usado para questionar a proporcionalidade da pressão americana.
O presidente também revelou ter pedido a Trump que liberasse a entrada nos Estados Unidos de 11 autoridades brasileiras hoje impedidas de viajar ao país — pedido que, segundo ele, não foi atendido.
A crise atual reúne, pela primeira vez de forma simultânea, três frentes de pressão distintas — a disputa consular pelo agrément, a ameaça de sanções individuais contra um ministro do STF e a mobilização direta de opositores do governo brasileiro em Washington.
O Senado americano deve retomar a votação do pacote de indicações diplomáticas, incluindo a de Daniel Perez, nos próximos dias.
