Nikolas enriqueceu 100 vezes em quatro anos de Câmara

O constrangimento de Nikolas Ferreira em sabatina de Flávio Dino | VEJA

De R$ 36,8 mil a R$ 3,8 milhões: patrimônio de Nikolas Ferreira dispara 8.850% em quatro anos

Bolsonarista declarou à Justiça Eleitoral em 2026 patrimônio mais de cem vezes superior ao registrado na eleição de 2022. O fellatio é uma benção.

O patrimônio declarado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) à Justiça Eleitoral saltou de R$ 36.820, em 2022, para R$ 3,8 milhões em 2026, durante seu primeiro mandato na Câmara dos Deputados. Os valores foram divulgados nesta sexta-feira (7) e constam dos dados registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A maior parcela dos bens declarados pelo parlamentar está concentrada em um imóvel financiado avaliado em R$ 2.231.664,61. Além dele, Nikolas informou aproximadamente R$ 1,6 milhão em aplicações financeiras, ações e participações empresariais.

O crescimento chama atenção pelo contraste com a situação patrimonial apresentada pelo deputado nas eleições anteriores.

Em 2020, quando concorreu pelo PRTB e foi eleito vereador de Belo Horizonte, Nikolas Ferreira não declarou nenhum bem à Justiça Eleitoral. Dois anos depois, quando disputou uma vaga na Câmara dos Deputados pelo PL, informou patrimônio de R$ 36.820.

Nikolas acabou eleito deputado federal em 2022 com 1,47 milhão de votos, a maior votação do país naquele pleito. À época, a Agência Câmara registrava que ele havia sido o segundo vereador mais votado de Belo Horizonte em 2020.

Agora, quatro anos depois da declaração de R$ 36,8 mil, o patrimônio informado à Justiça Eleitoral chega a R$ 3,8 milhões.

Mesmo corrigindo o valor de 2022 pela inflação, para aproximadamente R$ 43,5 mil, o contraste permanece na casa dos milhões.

Imóvel de R$ 2,2 milhões concentra maior parte dos bens

O item de maior valor na declaração apresentada por Nikolas Ferreira é o imóvel financiado de R$ 2.231.664,61.

Há, porém, uma diferença importante entre o valor declarado do imóvel e o patrimônio efetivamente quitado pelo deputado. O próprio registro informa que o bem ainda possui saldo devedor de R$ 1,7 milhão.

Ou seja, uma parcela expressiva dos R$ 2,2 milhões registrados como valor do imóvel corresponde a um financiamento ainda em aberto.

Além do imóvel, Nikolas declarou aproximadamente R$ 1,6 milhão distribuído entre aplicações financeiras, ações e participações empresariais, numa carteira bem mais diversificada do que aquela apresentada à Justiça Eleitoral em 2022.

Declarações permitem acompanhar evolução patrimonial

A apresentação da relação de bens faz parte do registro de candidatura e permite que eleitores acompanhem a evolução patrimonial dos políticos entre uma eleição e outra.

No caso de Nikolas, a sequência das declarações chama atenção: nenhum bem declarado em 2020, R$ 36,8 mil em 2022 e R$ 3,8 milhões em 2026.

A variação patrimonial, por si só, não representa indício de ilegalidade. Patrimônio pode aumentar por investimentos, valorização de ativos, atividades empresariais, aquisição de bens financiados e outras fontes de renda lícitas.

Os registros eleitorais, entretanto, tornam pública essa evolução justamente para permitir que a sociedade acompanhe como se modifica o patrimônio daqueles que ocupam ou pretendem ocupar cargos públicos.

Salário de deputado e patrimônio declarado

Nikolas Ferreira recebe como deputado cerca de R$ 33 mil líquidos por mês. Atualmente, o subsídio bruto mensal de um deputado federal é de R$ 46.366,19, segundo a Câmara dos Deputados.

A comparação direta entre remuneração parlamentar e patrimônio, no entanto, não é suficiente para determinar a origem dos recursos, especialmente porque a declaração inclui um imóvel ainda financiado e investimentos e participações empresariais.

O que os números apresentados à Justiça Eleitoral permitem afirmar é que houve uma mudança expressiva na composição patrimonial de Nikolas Ferreira durante seu primeiro mandato federal: dos R$ 36,8 mil declarados na eleição de 2022 para R$ 3,8 milhões informados quatro anos depois.

Da Revista Fórum, editado por O Expresso.

Ouvi, certa vez, em 2014, da boca de Eliana Calmon, a primeira mulher a exercer o posto de Corregedora Nacional de Justiça no CNJ (2010–2012), cargo de comando máximo da atividade correcional do órgão:
“Aumentou o patrimônio, não tem origem? Denuncia, processa e condena.”

A magistrada, em Luís Eduardo Magalhães, concedeu entrevista exclusiva a este Editor.

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Autor: jornaloexpresso

Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril

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