
Relatos de fome, mofo e falta de itens básicos expõem crise de saúde mental a bordo do USS Abraham Lincoln
Marinheiros e fuzileiros navais a bordo do porta-aviões nuclear USS Abraham Lincoln, dos Estados Unidos, tentaram pular do navio em pelo menos dois episódios distintos durante uma missão que já soma mais de 260 dias consecutivos no mar, a mais longa de um porta-aviões moderno americano, segundo reportagens do Military Times e de outros veículos especializados em assuntos militares.
O que está acontecendo, exatamente
O USS Abraham Lincoln deixou seu porto de origem em San Diego, na Califórnia, em 21 de novembro de 2025, inicialmente para uma missão de rotina no Pacífico.
Em janeiro, o navio foi redirecionado ao Oriente Médio, pouco antes de Estados Unidos e Israel lançarem ataques contra o Irã, e permanece desde então no Mar Arábico, dando suporte à chamada Operação Epic Fury, segundo também reportou a Forbes.
As tentativas de pular do navio
Segundo o Navy Times, familiares relataram que ao menos dois marinheiros tentaram ir ao mar durante a missão atual.
Annabelle Loma, esposa de um dos tripulantes, contou que o marido está agora sob acompanhamento médico após uma tentativa, e que teme uma baixa desonrosa que encerraria sua carreira de 13 anos na Marinha.

O USS Abraham Lincoln sofreu incêndios (Irã afirmou serem drones) e um entupimento de banheiros. Dois casos misteriosos, ainda não explicados.
O Stars and Stripes, outro veículo especializado, também documentou casos de tentativas frustradas, incluindo o relato de uma esposa cujo marido enviou uma mensagem dizendo “espera não acordar amanhã”.A Marinha dos Estados Unidos, por sua vez, negou qualquer aumento nos registros de ideação ou tentativa de suicídio a bordo, segundo comunicado oficial reproduzido pela Newsweek.
Condições físicas denunciadas por congressistas
Paralelamente à crise de saúde mental, parlamentares democratas descrevem condições precárias de vida a bordo.
O deputado Mike Levin, da Califórnia, relatou publicamente “chuveiros com mofo, vasos sanitários quebrados” e refeições reduzidas a meia xícara de arroz com duas tortilhas, além de falta de sabonete, desodorante e pasta de dente, segundo apurou a Forbes.
O deputado Jason Crow, do Colorado, também alertou sobre o desgaste crescente sobre militares e famílias.
O secretário de Defesa Pete Hegseth já havia classificado relatos semelhantes, divulgados em abril, como “fake news” — posição reiterada por ele e pelo chefe de operações navais, almirante Daryl Caudle, segundo o MS NOW.
A cobrança do Congresso
O senador Richard Blumenthal, do Connecticut, membro do Comitê de Serviços Armados do Senado, enviou nesta quarta-feira uma carta formal a Hegseth e ao secretário interino da Marinha, Hung Cao, exigindo explicações sobre as sucessivas prorrogações da missão, a lista de problemas de infraestrutura identificados a bordo e os critérios usados para avaliar fadiga, moral e saúde mental da tripulação, conforme detalhou o próprio MS NOW.
O prazo dado para resposta é 27 de agosto.
O episódio expõe uma tensão estrutural na condução da guerra dos Estados Unidos contra o Irã: a manutenção de uma presença naval prolongada no Oriente Médio tem custo humano direto sobre militares que, oficialmente, cumprem uma missão sem prazo de retorno definido.
O padrão de negação inicial seguido de reconhecimento parcial — já visto em abril e repetido agora — revela mais sobre a gestão de crise do Pentágono do que sobre a real gravidade da situação a bordo.
