
Presidente do Senado indica que eventual processo contra o ministro do STF Alexandre de Moraes poderá ser acompanhado de ação contra André Mendonça.
Por Paulo Emílio, no portal Brasil247
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), sinalizou a colegas do Congresso que poderá autorizar a abertura de processos de impeachment contra Alexandre de Moraes e André Mendonça, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), caso a pressão para iniciar um procedimento contra Moraes se torne insustentável.
Segundo a coluna da jornalista Ana Flor, do G1, Alcolumbre fez circular entre senadores a indicação de que, diante de uma eventual abertura de processo contra Moraes, também autorizaria o andamento de um procedimento contra Mendonça.
A possibilidade passou a ser tratada como uma espécie de “impeachment cruzado” e contribuiu para reduzir a temperatura política no Senado nos últimos dias.
Impeachment cruzado reduz temperatura no Senado
A sinalização de Alcolumbre ocorre em meio ao agravamento das tensões envolvendo integrantes do Supremo. Ao indicar que um eventual processo contra Moraes poderia ser acompanhado de outro contra Mendonça, o presidente do Senado colocou os dois ministros na mesma equação política. A estratégia teve o efeito de diminuir a pressão no Senado pela abertura de um processo exclusivamente contra Moraes.
O movimento ocorre após uma decisão de Moraes, no âmbito do inquérito das fake news, em que o ministro apontou indícios de possível crime de responsabilidade de Mendonça e mencionou que Alcolumbre teria sido investigado. Esses pontos foram interpretados como uma sinalização que permitiria a atuação do presidente do Senado diante da crise.
Moraes aponta “flagrante perda de imparcialidade”
No pedido, Moraes afirmou que Mendonça teria usurpado das autoridades policiais a direção das investigações, conduzido de forma irregular tratativas relacionadas a uma eventual delação e direcionado a investigação de determinados alvos por “motivos pessoais e políticos”.
Nesse contexto, foram mencionados os nomes do próprio Alexandre de Moraes e de Davi Alcolumbre.
Moraes também citou a Constituição Federal e o regimento interno do STF ao sustentar que compete a um órgão colegiado analisar eventual prática de crime comum atribuída a magistrados.
Ao tratar especificamente da atuação de Mendonça, Moraes afirmou que o relatório da Polícia Federal indica a adoção de medidas “com flagrante perda de imparcialidade”.
Em meio ao acirramento da crise, os dois inquéritos envolvendo Moraes e Mendonça passaram a ser conduzidos pelo presidente do STF, Edson Fachin.
