Jefferson Café revela o modelo que está redesenhando a educação de Luís Eduardo Magalhães

Em sabatina ao Jornal da Boa e ao Portal Caso de Política, secretário detalhou investimentos diretos de 31%, o aporte indireto de outras pastas para kits escolares e o plano de gratificação por metas com recursos extraorçamentários.

Por Luís Carlos Nunes, do portal Caso de Política.

O Secretário de Educação de Luís Eduardo Magalhães, Jefferson Café, foi o convidado central de uma sabatina técnica e detalhada na noite desta sexta-feira (04), no Jornal da Boa (Oeste FM). Recebido pelo âncora Sigi Vilares e pelos debatedores Gil Rocha e Afonso Soares, o secretário respondeu a questionamentos do Portal Caso de Política sobre o modelo que vem posicionando a educação do município como referência estadual.

Com investimentos diretos que atingiram 31% do orçamento municipal em 2025 – superando o mínimo constitucional de 25% -, Jefferson Café apresentou uma gestão baseada em planejamento, infraestrutura e cobrança por resultados.

Um dos pontos técnicos mais relevantes destacados pelo secretário é que o investimento real por aluno em Luís Eduardo Magalhães é ainda superior aos índices oficiais da pasta. Conforme explicou Jefferson Café, itens essenciais como mochila, uniforme e tênis não são contabilizados nos 31% da educação, pois são orçados como benefícios sociais.

“Esses investimentos indiretos não entram na conta dos 25% constitucionais, porque entende-se que são benefícios sociais, e não educacionais”, pontuou, revelando uma engenharia orçamentária que mobiliza outras pastas para garantir a dignidade do estudante sem comprometer o teto de gastos da educação.

Essa visão administrativa, pautada pela eficiência, justifica sua atuação como um “maestro” focado na gestão de talentos. Questionado sobre o desafio de comandar uma pasta pedagógica sendo engenheiro agrônomo, o secretário foi categórico:

“Eu não sou pedagogo. Entendo de gestão de pessoas e de talentos. Enfrentei muita resistência e preconceito no início, inclusive por parte da entidade de classe, mas nada vence a dedicação”.

Segundo ele, o sucesso reside na separação clara entre estratégia e execução:

“Nosso trabalho está muito mais relacionado à gestão de talentos do que propriamente à prática pedagógica. Eu cuido da gestão de tudo isso para que o investimento realmente chegue à ponta”.

Essa organização permitiu ao município focar na “igualdade do portão para dentro”. O investimento em alimentação escolar saltou de R$ 6 milhões em 2019 para uma previsão de R$ 23 milhões em 2026.

“Criança com fome não aprende”, afirmou o secretário, detalhando que as unidades de tempo integral oferecem até cinco refeições diárias. Para ele, a escola pública deve ser um equalizador social onde “o filho do empresário e o aluno em situação de vulnerabilidade precisam receber o mesmo tratamento e ferramentas de aprendizado”.

Essa inovação inclui escolas bilíngues com 15 horas semanais de inglês, projeto inspirado no sucesso de Pilar (AL).

No campo da valorização profissional, Jefferson Café defendeu a meritocracia através de uma gratificação vinculada a resultados, prevendo o pagamento de 14º e 15º salários. Interpelado pelo Portal Caso de Política sobre se a premiação viria de sobras do FUNDEB, o secretário esclareceu que o projeto utiliza recursos extraorçamentários.

“É um recurso adicional para valorizar, de fato, quem entrega resultado. Se eu remunero da mesma forma o professor engajado e aquele que não se dedica, acabo puxando a média da rede para baixo”, explicou, reforçando que a seleção de diretores em LEM é 100% técnica e sem indicações políticas.

"Mineiro de nascimento, baiano de coração", brincou Jefferson Café na bancada.
“Mineiro de nascimento, baiano de coração”, brincou Jefferson Café na bancada.

O tom sério da sabatina deu lugar a um momento de descontração quando o secretário foi provocado a escolher entre suas raízes mineiras e a identidade baiana na culinária. Natural de Montes Claros (MG) e morador de LEM há 21 anos, ele arrancou risos da bancada:

“Sou mineiro de nascimento, mas um baiano de coração que vocês não têm noção. Não abro mão do meu pequi, mas adoro um cuscuz. Misturo os dois e está tudo bem”.

Ao finalizar, Jefferson Café utilizou a analogia das tâmaras para definir seu compromisso:

“Quem planta tâmaras não come tâmaras. Mas alguém precisa plantar para que, no futuro, alguém coma”.

Para ele, a sensibilidade do prefeito Júnior Marabá em investir no presente é a garantia de um IDEB de excelência nas próximas décadas.

 

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Autor: jornaloexpresso

Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril

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