Maior fundo soberano do mundo quer tirar US$ 80 bilhões de títulos dos EUA.

O maior fundo soberano do mundo pode mudar a forma como distribui seus investimentos em dívida americana. O fundo da Noruega, que administra US$ 2,3 trilhões em ativos, propôs reduzir em quase US$ 80 bilhões sua posição em títulos do Tesouro dos Estados Unidos (Treasuries), sem retirar na mesma proporção recursos do mercado americano.

Norges Bank Investment Management (NBIM), braço de investimentos do banco central norueguês, administra o Government Pension Fund Global, fundo soberano criado para investir no exterior as receitas do petróleo e gás da Noruega. A carteira mantém cerca de US$ 215 bilhões em Treasuries. A Reuters estima um corte de quase US$ 80 bilhões nessa posição caso o governo adote a nova composição, com parte relevante dos recursos direcionada a outras modalidades de dívida dos próprios EUA.

A proposta enviada ao Ministério das Finanças da Noruega prevê reduzir de 70% para 50% o peso dos títulos governamentais no índice de referência de renda fixa. Porém, a mudança ainda depende de decisão do governo norueguês e, portanto, nenhuma venda decorrente dessa recomendação foi realizada.

Fundo da Noruega troca composição da dívida americana

A dimensão dessa troca aparece na distribuição proposta. Os títulos do governo americano cairiam de 34,1% para 21,9% do índice de renda fixa, uma redução de 12,2 pontos percentuais.

No sentido contrário, o fundo da Noruega elevaria a participação da dívida americana não governamental de 16,2% para 27,6%, alta de 11,4 pontos. A comparação deixa clara a diferença: reduzir Treasuries não significa diminuir na mesma proporção a presença financeira nos Estados Unidos.

A exposição a ativos denominados em dólar reforça essa distinção. A fatia passaria de 52,9% para 52,5%, praticamente sem alteração. A principal mudança, portanto, estaria no tipo de título americano presente no índice.

MBS ganhariam espaço no lugar dos Treasuries

Entre os papéis que ganhariam peso no índice estão os mortgage-backed securities (MBS), títulos lastreados em hipotecas, além de outras dívidas relacionadas a governos.

Com a mudança, o fundo da Noruega ampliaria a exposição a esses segmentos para diversificar a carteira e acessar diferentes prêmios de risco. Nos MBS, por exemplo, existe o risco de pré-pagamento: quando os juros caem, o mutuário pode refinanciar a hipoteca, antecipando o pagamento e alterando o retorno esperado pelo investidor.

Parte relevante desses papéis conta com garantias de Fannie Mae, Freddie Mac e Ginnie Mae, instituições ligadas ao sistema habitacional dos Estados Unidos que dão suporte ao mercado de hipotecas. As duas primeiras compram e garantem financiamentos imobiliários, enquanto a Ginnie Mae, garante títulos lastreados em empréstimos de programas públicos. Por essa estrutura, o Norges Bank avalia que a qualidade de crédito dos agency MBS fica próxima à dos títulos do governo americano.

Corte de US$ 80 bilhões ainda não aconteceu

A proposta também alcança títulos públicos de outros países. O peso da dívida da zona do euro cairia de 16,8% para 14,1%, enquanto os títulos japoneses subiriam de 4,6% para 7,4%. A fatia britânica permaneceria em 4,2%.

Para o fundo da Noruega, portanto, a mudança central está na composição da renda fixa, e não em uma saída dos Estados Unidos. O Ministério das Finanças ainda precisa decidir sobre a recomendação e, se aprovada, a alteração será gradual para reduzir custos de transação e impacto no mercado.

Do Economic News – Brasil

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Autor: jornaloexpresso

Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril

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