O patriota Milei tenta ampliar venda de terras argentinas a estrangeiros

Após defender fim de limite, governo recua para 25% das terras. Ao mesmo tempo, Milei fala em recuperar domínio das Malvinas, encenando uma opereta tragicômica de patriota de última hora. Deveria ao menos recordar dos generais que acabaram morrendo na cadeia pela aventura frustrada.

 Javier Milei tenta votar novamente no Senado, nesta quinta-feira (6), projeto de lei que altera os limites para estrangeiros comprarem terras na Argentina. Oposição e setores sociais acusam governo de “entreguismo” e convocaram protestos para o momento da votação.

O Senado argentino vinha resistindo a votar a proposta original da Casa Rosada de acabar com qualquer limite para compra de terras por estrangeiros, que atualmente é de 15% nos níveis nacional, provincial e municipal.

Devido à dificuldade em avançar com a matéria, o governo Milei apresentou, nessa terça-feira (4), uma proposta mais moderada, que amplia o limite para 25% por província do país.

Em meados de julho, o governo argentino tentou votar o tema no Senado, mas o projeto foi retirado de pauta por falta de apoio. A Casa Rosada defende o fim do limite previsto em lei de 2011 alegando que a restrição impediria os investimentos internacionais no país.

“[A legislação] implicava uma limitação irrazoável que, longe de constituir uma verdadeira proteção, levava a um condicionamento e desincentivo ao investimento internacional, principalmente no setor agrícola, um dos principais setores produtivos do país”, diz comunicado do governo argentino enviado ao Senado, em março deste ano.

Milei já havia tentado derrubar a restrição, por meio de decreto presidencial, assim que assumiu o poder, em dezembro de 2023. Porém, a mudança foi suspensa pelo Poder Judiciário, levando a Casa Rosada a buscar alterar a regra via Legislativo.

A organização não governamental (ONG) Observatório de Terras da Argentina, que reúne pesquisadores contrários à mudança, calcula que quase 5% das terras do país estão em mãos de estrangeiros, o que representa 13 milhões de hectares, área equivalente ao tamanho da Inglaterra.

Colonialismo

A organização argumenta que a mudança coloca em risco o acesso do povo argentino a rios, lagos e nascentes, o que representaria um estatuto “colonial”.

“Esta reforma visa facilitar dinâmicas de apropriação e concentração que podem envolver o controle sobre extensas áreas de terra e recursos naturais estratégicos, sem necessariamente gerar uma circulação local das rendas obtidas”, diz informe da ONG.

“Isso só aumentará o conflito social em cada um dos territórios onde for implementado.

Como já apontamos, a Lei de Propriedade Estrangeira, promovida por Federico Sturzenegger [ministro da Desregulação e Transformação] em nome do governo nacional, é apresentada como um novo marco legal para o colonialismo”, concluem os especialistas.

Defesa da propriedade privada

O projeto que amplia o limite para venda de terras argentinas a estrangeiros faz parte de um pacote mais amplo de mudanças legislativas defendidas pelo governo argentino, chamada de Lei de Inviolabilidade da Propriedade Privada.

O pacote tem medidas que, entre outras mudanças, aceleram os processos de despejos, dificultam as expropriações estatais e reduzem as restrições para venda de áreas protegidas ambientalmente após incêndios florestais.

Segundo o observatório, 36 departamentos superam o limite legal de 15%, como Lácar (Neuquén), General Lamadrid (La Rioja) y Molinos y San Carlos (Salta), cujo percentual de terras em mãos estrangeiras supera 50%.

Sionista militante, Milei permite ao mesmo tempo que admite vender extensas propriedades, o acesso de membros do Mossad e de soldados israelenses ao território argentino. A palavra não pronunciada é ocupação. Cercado no Oriente Médio, Israel poderia estabelecer um novo estado colonial na Argentina, em uma das regiões mais estratégicas do mundo.
Patagônia argentina: terras fertéis para criação de ovinos e bovinos; água pura abundante e desenvolvimento de cultivos de verão e inverno. Os Estados Unidos e o Canadá produzem intensa atividade agro-pecuária em latitudes tão elevadas como na Patagônia, que está situada na latitude máxima de 55º Sul. O Canadá tem atividade agropecuária até os 60º Norte.
Avatar de Desconhecido

Autor: jornaloexpresso

Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril

Deixe um comentário