Atenção pivoteiros: feijão pode chegar a R$ 12 o quilo em 2027.

Estimativa do Ibrafe leva em consideração os preços do carioca em fevereiro, após a menor colheita na terceira safra da leguminosa.

O feijão chegou a setembro em uma situação incomum. Está caro no campo, continua subindo e, ainda assim, não consegue convencer o produtor a plantar mais. As primeiras indicações para a safra 2026/27 apontam redução da área em regiões importantes. Como consequência, o consumidor pode ver o quilo do feijão-carioca próximo a R$ 12 em algumas regiões em fevereiro, patamar recorde, segundo avaliação do Ibrafe (Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses).

A alta no campo ganhou velocidade nas últimas semanas. De acordo com Marcelo Lüders, presidente do Ibrafe, há negócios acima de R$ 310 a saca, registrando aumentos de R$ 10 a R$ 15 em intervalos de três ou quatro dias. “E o mercado não dá, por enquanto, sinais claros de que tenha encontrado um teto”, afirma à CNN.

O movimento chama atenção pelo momento do ano. A terceira safra, cuja colheita se concentra entre junho e agosto em diferentes regiões, normalmente acrescentaria oferta ao mercado e abriria espaço para alguma acomodação das cotações. Desta vez, porém, essa oferta chega a um mercado que já vinha de preços elevados.

Em 1980, tempos do “Feijão Maravilha”, vendemos feijão carioca de primeira a US$500 a saca. Isso equivale hoje a US$2.032, mais de impensáveis R$10 mil. Lembro que o custeio da lavoura conduzida sob irrigação, movida a diesel, foi pago com o equivalente a 2 sacas por hectare. E colhemos média de mais de 30 sacas.
Na época, o consumo brasileiro estava em torno de 4 milhões de toneladas. Chegamos a importar feijão do México e EUA. O comportamento mercurial dos preços do feijão e a característica de, num ciclo de 90 dias, pular da germinação direto pra panela, foram capazes de criar estes fenômenos no mercado. 
Naqueles tempos, governo de João Figueiredo, os gerentes da carteira agrícola do Banco do Brasil praticamente obrigavam os produtores a plantar feijão. E ainda apregoavam: “Plante que o João garante!” Entusiasmados pelos preços, produtores plantavam grandes áreas. No final da estação de chuvas, a leguminosa valia menos que 10% do valor de outubro.
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Autor: jornaloexpresso

Carlos Alberto Reis Sampaio é diretor-editor do Jornal "O Expresso", quinzenário que circula no Oeste baiano, principalmente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e São Desidério. Tem 43 anos de jornalismo e foi redator e editor nos jornais Zero Hora, Folha da Manhã e Diário do Paraná, bem como repórter free-lancer de revistas da Editora Abril

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